Na Semana Mundial de Combate às Drogas, Franca não tem muito o que comemorar. Os atendimentos a usuários de entorpecentes menores de idade aumentaram 27% somente nos quatro primeiros meses deste ano no comparativo com o mesmo período de 2011. De janeiro a abril do ano passado, foram 239 casos contra 304 em 2012, de acordo com dados divulgados pelo Conselho Tutelar. Para tentar virar esta situação, a semana de conscientização terá diversas atividades na cidade.
O lançamento de Campanha Antidrogas na Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), abriu as ações preventivas. “A partir do momento em que temos uma pessoa que faça uso de drogas já é preocupante e a campanha visa conscientizar para que novos jovens não entrem nesse vício”, disse o delegado titular da Dise, Djalma Donizete Batista.
O Conselho Tutelar, através de projetos em conjunto com a Prefeitura, procura investir em meios que afastem os adolescentes das drogas com encaminhamento para psicólogos e entidades, como o Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Porém, segundo a coordenadora do Conselho Tutelar, Gláucia Limonti, muitas vezes o pedido não é atendido e o serviço é deficitário. “Se nós, que somos um órgão protetor dos direitos da criança, requisitamos o serviço e não somos atendidos, então continua a mesma coisa. O serviço de atendimento ao jovem usuário de drogas em Franca é horrível, porque o Caps é voltado para adultos. O que precisamos é de um Caps para adolescentes.”
No Conselho Tutelar, os jovens recebem orientações e é cobrado dos pais o encaminhamento dos adolescentes a programas de combate ao vício. “Cobramos dos pais porque são eles os responsáveis pelos menores. Depois de um tempo do encaminhamento, entramos em contato com a família para saber o que foi feito, se o jovem está participando ou se conseguiu vaga em um dos programas. Se não conseguiu, vamos atrás da vaga”, disse o conselheiro tutelar Ílton Sérgio Ferreira.
Com atendimento a dependentes químicos com idade acima de 13 anos, o Caps surge como uma alternativa para sanar o problema de drogas. A equipe acolhe o usuário, que é avaliado e direcionado para atividades sociais de acordo com o nível de dependência.
Mas o local, que tem capacidade para atender 190 pessoas, conta atualmente com apenas 20 pacientes. “Sabemos que a demanda existe, mas não chega até nós. E estes poucos pacientes têm um tipo de perfil de busca do prazer de não gostar de disciplina e acabam abandonando o tratamento, muitos não vão se não for através de medida judicial”, disse a coordenadora de Saúde Mental do Município, Sirlene Aparecida Pessalacia Barretto.
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