Em 2012, pelo menos um carro por mês caiu nos córregos de nossa cidade, matando e ferindo várias pessoas. Em decorrência dessa triste estatística, muita gente começou a discutir a necessidade de se colocar proteção ao longo das margens dos córregos que cortam as duas principais avenidas da cidade.
A discussão ganhou espaço nos principais meios de comunicação da cidade e também invadiu a internet, conseguindo uma ampla divulgação nas redes sociais. Nesses espaços, obviamente, a emoção deu o tom aos debates, tornando praticamente consensual a idéia da proteção ao longo das margens dos córregos.
O poder público municipal, no entanto, na voz de seu executivo maior, trouxe a discussão para um nível mais racional e já adiantou ser impossível a instalação imediata de qualquer tipo de proteção, seja uma mureta de concreto, uma obra mais cara, ou mesmo o um ‘guard rail’ mais simples, uma proteção menos eficiente, porém mais facilmente executável.
De acordo com o prefeito, não há verba disponível para realizar essas obras nesse momento, pois não foi feita nenhuma previsão no planejamento orçamentário da Prefeitura. A decisão para esse tipo de obra, segundo ele, deve ficar para o seu sucessor.
Obviamente, boa parte da população se manifestou de forma indignada. Nas cartas dos leitores publicadas pelo Comércio e na mídia de forma geral, os protestos foram quase uma unanimidade. E não faltaram também as comparações com outros gastos feitos ou anunciados pela Prefeitura, como aqueles relacionados à construção do viaduto. Para muitos cidadãos, é inconcebível que existam recursos para esse tipo de obra e falte dinheiro para se colocar grades de proteção ao longo dos córregos.
Nesse momento, no entanto, é preciso que todos mantenham a calma. É bastante compreensível que os efeitos recentes de mais uma tragédia nos córregos de Franca tenham uma influência gritante no tom emocional desses comentários e nos debates que se seguiram a eles, tanto na mídia como na cidade, de forma geral.
Mas é bom lembrar que a emoção é péssima amiga da razão. Por mais que seja difícil digerir mais essas mortes, e por mais que compreendamos a dor que nesse momento invade alguns lares francanos, não podemos misturar as coisas e atropelar os princípios de racionalidade que devem prevalecer na administração pública.
Colocar esses equipamentos de contenção no calor da hora não irá com certeza resolver esse problema, uma vez que ele se concentra mais na imperícia ou nos erros dos motoristas do que na própria inexistência de muretas ou grades de proteção.
É preciso sim voltar a discutir essas questões, mas sem perder de vista que não se trata de solução mágica e que sem um reposicionamento dos que fazem o trânsito, ou seja, nós mesmos, proteções no córrego representarão menos do que poderiam.
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