Apenas 40% das residências de Franca têm acesso à internet


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 Jovens no Acessa SP do Aeroporto: postos são alternativas para quem não tem internet em casa
Jovens no Acessa SP do Aeroporto: postos são alternativas para quem não tem internet em casa

Pesquisa elaborada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e divulgada no mês passado mostra que em Franca de cada dez casas apenas quatro têm computador com acesso à internet. O índice faz parte do novo “Mapa da Inclusão Digital” e coloca a cidade na 297ª posição do ranking nacional, atrás inclusive de municípios menores da região, como Batatais e São Joaquim da Barra. Já o pior índice regional é o da cidade de Jeriquara, onde somente 11,91% dos domicílios têm computador com internet. O estudo tem por base dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Para o professor de sociologia e coordenador do Laboratório de Estudos Sociais e Desenvolvimento da Unesp, Agnaldo Souza Barbosa, a explicação está associada à baixa renda da população e ao serviço deficitário oferecido por empresas particulares da cidade. “Franca é uma cidade industrial, tem um nível de renda pequeno e a infraestrutura das empresas que oferecem internet está aquém do ideal. Em bairros muito distantes, o serviço não chega e na cidade surgem novos bairros todo semestre.”

Dados do mapa revelam que no município 52,31% dos domicílios têm computador, porém só 40,83% estão conectados na rede. Franca, de acordo com o IBGE, possui 97,8 mil domicílios. “Manter um computador com internet em casa tem um custo e isso vai incidir no orçamento. Além disso, o município não tem políticas públicas para baratear o serviço ou expandir o acesso”, disse o sociólogo. Somente um computador custa em média R$ 1 mil. Já para assinar uma internet básica, o custo gira em torno de R$ 40 mensais.

Numa lista de 17 municípios paulistas com mais de 200 mil habitantes, Franca é a última do ranking. Cidades como Ribeirão Preto, São Carlos e Araraquara têm situação mais favorável. Nas três localidades, o índice de casas com internet supera os 50%. São José do Rio Preto, Limeira e Mogi das Cruzes possuem índices superiores a 45%. No país, a média é de 33%. 

Jaíne Aparecida Souza Santos, 14, por exemplo, frequenta ao menos duas vezes por semana o posto do Programa Acessa São Paulo (que oferece acesso gratuito à internet) no Jardim Aeroporto. Segundo ela, apesar do desejo de ter um computador com internet em casa, a mãe que trabalha como diarista não tem condições de adquirir o equipamento e o serviço. “Seria legal e me ajudaria nos trabalhos da escola, mas minha mãe não tem como comprar”, disse a adolescente.

Para a assistente técnica de ensino e pesquisa do Acessa São Paulo, Neide Pereira Faria, a maioria dos usuários sempre reclama do preço da internet. “Muitos instalam, mas depois precisam cortar o serviço porque não conseguem pagar.” Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Gestão Pública, a cidade possui quatro postos (Estação, Aeroporto, Leporace e Poupatempo) com acesso gratuito à internet que recebem juntos, em média, 3,4 mil pessoas por mês.

As unidades do Programa têm cadastrados 6.164 usuários no município. “Temos muitos adolescentes e jovens entre os usuários, mas no posto da Estação o público adulto predomina para fazer inscrições em concursos públicos e utilizar outros serviços de governo eletrônico”, disse Neide.

O posto do Acessa São Paulo na Estação fica na avenida Frei Germano, 2.089, e existe há 12 anos. O horário de funcionamento é das 8 às 18 horas.

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