Ranya descobre o mundo das letras com o braile


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Ranya Garcia de Paula, que não enxerga, escreve texto na máquina de braile em sala de aula da Escola Municipal ‘Florestan Fernandes’
Ranya Garcia de Paula, que não enxerga, escreve texto na máquina de braile em sala de aula da Escola Municipal ‘Florestan Fernandes’

Ranya Garcia de Paula, de 8 anos, estuda no período da manhã na Escola Municipal “Florestan Fernandes”, no Jardim Vera Cruz. Está matriculada no terceiro ano. Todos os dias, separa o material escolar. Além da mochila com estojo, lápis e livros, costuma transportar a máquina de escrever em braile. Ranya nasceu com uma deficiência visual severa. A má-formação no nervo ótico provocou cegueira no olho esquerdo e baixa visão no direito. Mesmo sem enxergar, ela estuda na rede regular de ensino e tem apresentado bom desempenho.

A mãe de Ranya, a pespontadeira Rogéria Aparecida de Souza, 27, tem dois filhos, o mais velho está com dez anos. Quando Ranya era bebê, ela percebeu que o comportamento estava diferente do filho mais velho. Ela não segurava os brinquedos que a mãe mostrava nem acompanhava as pessoas com o olhar. Na consulta, a médica diagnosticou o problema.

Passado o susto com a descoberta, a mãe decidiu que faria o possível para que a filha tivesse uma vida o mais próximo do comum. Após atendimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Ranya deu o primeiro passo para ser alfabetizada. A equipe do HC a encaminhou para ter aulas na sala de recurso para deficientes visuais montada na Secretaria de Educação de Franca. Dos ensinos com a professora Marlei Taveira (também deficiente visual), que começaram quando tinha apenas 4 anos, Ranya acabou matriculada na rede regular de ensino aos 6 anos, na pré-escola. “Fiquei com medo quando matriculei na escola porque passaria a conviver com pessoas normais, mas me abri e penso que ela tem que ser o que ela é”, disse a mãe Rogéria.

Nos primeiros anos na escola, Ranya era alfabetizada escrevendo com lápis. O material era adaptado com letras ampliadas para permitir a leitura. Mas como ela está perdendo a visão direta gradativamente, passou a ser alfabetizada com braile. Ela já escreve e lê livros adaptados nesta modalidade de escrita. “Eu gosto de ler e estudar”, disse, enquanto lia uma história infantil passeando com os dedos sobre os pontos cravados nas páginas do livro.

A professora dela, Maria Rosa Silva e Silva, leciona para uma criança cega pela primeira vez e disse estar satisfeita com a experiência. “A Ranya está num ritmo muito bom. Sempre ditamos as atividades para ela passar para o braile. Conto com o auxílio de uma estagiária para isso e também das outras crianças. A Ranya terá esse acompanhamento até que adquira autonomia para seguir a aula.”

AVALIAÇÃO
Na Escola “Florestan Fernandes” estão matriculados 600 alunos, sendo 21 com deficiência visual, auditiva ou intelectual. Nos últimos anos, a instituição passou por reformas de adaptação, como a instalação de corrimões nos corredores, piso tátil e rampas. Também recebeu materiais adaptados do Ministério da Educação.

A coordenadora pedagógica da escola Larissa Ayala disse que o processo de inclusão de alunos deficientes se intensificou no ano passado e ela reconhece a necessidade de adaptações para atender esse público. “É um processo que está no início, caminhando. Nós adaptamos o currículo, procuramos promover a inclusão preservando a independência da criança, adaptar os materiais a serem utilizados e manter o professor de apoio para auxiliar as atividades.”  

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