A Secretaria Municipal de Educação iniciou em março deste ano o curso de formação continuada “A construção de uma escola de qualidade e inclusiva” para preparar as equipes das escolas municipais a receber alunos com deficiência. Os módulos do curso serão ministrados até outubro. Cerca de 800 funcionários das escolas, entre gestores, orientadores educacionais, pedagogos, professores e também merendeiras, inspetores e ajudantes gerais participam do projeto. Além de Franca, há profissionais de nove municípios, como Cristais Paulista, Restinga e Pedregulho.
O foco são os gestores das escolas - diretores, coordenadores pedagógicos, pedagogos, orientadores educacionais -, que serão multiplicadores para o restante da equipe. São abordadas as deficiências intelectual, física e auditiva. As palestras e oficinas são aplicadas por formadores da área de educação inclusiva indicados pelo MEC (Ministério da Educação). “O objetivo dessa formação é sensibilizar os funcionários para o movimento de inclusão pelo qual as escolas estão passando. Elas estão recebendo os alunos com deficiências e estamos capacitando os profissionais para isso. E o processo é esse: receber para preparar, porque temos que saber primeiro como chegam esses alunos”, disse a pedagoga Sandra Pedigone, coordenadora da inclusão no município.
Hoje será encerrado o módulo “Recursos Tecnológicos”, iniciado na segunda-feira. A rede municipal, com apoio do MEC, montou, desde 2009, as chamadas salas de recursos, equipadas para auxiliar alunos com deficiência. Onze escolas municipais possuem esses espaços, onde as crianças são atendidas em período contrário ao das aulas para melhorar o aproveitamento nas classes.
Os professores dessas salas estão participando de oficinas com duas convidadas do Rio Grande do Sul. A pedagoga Mara Sartoretto e a fisioterapeuta especializada na área da tecnologia assistiva Rita Bersch, da Empresa Assistiva Tecnologia e Educação, estão em Franca para ensinar os educadores a usar tecnologias adotadas para inclusão de alunos com deficiência em classes comuns. Um dos programas é o boardmaker, em que o aluno se expressa através do computador com símbolos, gráficos, mouses especiais e teclados virtuais. “Essa formação trata da tecnologia assistiva, que é a ferramenta que favorece o desempenho do aluno com deficiência em determinada função, então ela faz comunicar, faz escrever, permite autonomia para se alimentar, se vestir”, disse Rita Bersch.
A pedagoga Elza Pedrosa, professora da sala de recursos da Escola Municipal “Aldo Prata”, no City Petrópolis, participa das oficinas. “Elas esclarecem muitas dúvidas que nós temos e trazem novos conhecimentos sobre as técnicas que podemos aplicar com alunos de inclusão.”
EXPERIÊNCIA
A Prefeitura tem hoje 250 alunos com deficiência múltipla, física, visual, auditiva, intelectual, síndrome de Down, autismo e outros transtornos, como hiperatividade e esquizofrenia.
Gabriel da Silva, 7, é um deles. Está matriculado no 2º ano da Escola “Etelgina de Fátima Viveiros”, no Residencial Júlio D’Elia. Foi acolhido pelas outras crianças e funcionários. Cada dia, um colega de classe se encarrega de ajudá-lo com a cadeira de rodas. “Gosto muito dos amigos aqui da escola. Escrevo meu nome e leio.”
A mãe dele, a sapateira Maria Aparecida da Silva, 45, se surpreendeu com seu desenvolvimento. Gabriel nasceu prematuro, no sexto mês de gestação, e teve sequelas na parte motora. Estudou na Apae desde os oito meses até que foi encaminhado para a rede regular de ensino. “Quando me avisaram que ia estudar na escola comum, fiquei bem assustada, porque precisa de muitos cuidados, mas agora mando para cá e fico despreocupada. Ele está indo muito bem. Acho até que ele devia ter vindo antes.” Ela esperava que um dia o filho estivesse na rede regular. “Mas achei que ele ia ter que andar para depois vir.”
A Diretoria Regional de Ensino de Franca atende cerca de 630 alunos deficientes em toda rede. Para atender a demanda também conta com salas de recursos e capacitação dos educadores.
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