Foram meses de agonia, unhas roídas e uma maratona de estudos, tudo para conseguir encarar uma prova, que tinha o poder de definir o futuro de 80 jovens. Os aprovados sofreram para chegar onde estão. Este esforço que desafiou a determinação de mais de cinco mil jovens destemidos, aguerridos e comprometidos com o próprio futuro, garantiu a uma pequena parcela uma vaga de emprego no programa Primeira Chance, da Prefeitura de Franca.
Depois de completarem um mês já em suas respectivas funções, os estudantes que têm entre 14 e 18 anos, estão recebendo salário de R$ 405,42, mais vale-transporte para uma jornada de quatro horas diárias no horário contrário ao da escola, para assim, conciliarem os estudos. Estes inteligentes e sortudos jovens não têm apenas a literal “primeira chance” de suas vidas, como também, uma incrível sensação de poder e independência graças ao trabalho que exercem e o salário que ganham. E como será que está o andamento desse programa? Ele cumpre o que promete ou estas jovens almas estão jogadas no meio do labirinto burocrático que é o serviço público? O Se Liga tenta responder nas linhas seguintes.
Após um mês de serviços, o consenso geral pende para os elogios a todo o programa. “De uma maneira geral, todos estes jovens fazem um serviço muito bom. Não registramos reclamações em nenhum dos setores onde eles estão trabalhando”, resume o secretário de Administração Humberto Mazza. “Por serem pessoas que precisam deste dinheiro e dão valor à chance que lhes foi dada, eles têm muita energia e disposição para a realização destes trabalhos. É um ganho mútuo. A Prefeitura soma pessoas para atender mais rapidamente a população e estes jovens ganham um rumo na vida.”
Do outro lado, os aprendizes também demonstram um grau muito alto de satisfação. “É um bom dinheiro, a carga horária é tranquila e permite que nós trabalhemos sem deixar de lado os estudos. As pessoas são muito legais. Estou adorando”, diz Taís Aparecida Ribeiro Salgado, 17. “Eu já fiz cursos profissionalizantes, mas nunca consegui trabalhar, pois não tinha tempo. Agora com a experiência eu posso estudar e ajudar em casa, graças ao tempo que passo aqui. Com certeza este programa foi muito bem montado”, soma Daniela Sena e Silva, 16.
Segundo Humberto, um dos pontos fortes do programa Primeira Chance é a capacitação de futuros profissionais na área de administração, uma das mais carentes do mercado atual. “Aqui nós fazemos tudo. Eu nem saberia descrever exatamente qual é a minha função. Mas acredito que isto seja bom, pois aprendo de tudo um pouco e me torno uma profissional mais completa”, afirma Natasha Andrade Vieira, 18.
Com tantos elogios em tão pouco tempo, Humberto Mazza se diz contente e afirma que o programa deve continuar. Tudo isso depois de apenas um mês de experiência. “Não existe nada confirmado, mas o programa é um sucesso e ele deve continuar.”
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