A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) edificou no Forte de Copacabana, coração da cidade maravilhosa, o projeto Humanidade 2012. É parte da agenda paralela oficial da conferência Rio + 20, da ONU
Até o dia 22 de junho, promoverá exposição que conta a trajetória da humanidade em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e a Fundação Roberto Marinho. Uma série de seminários e debates permearão as discussões do megaevento. Antes de embarcar ao Rio, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, contou em entrevista à Rede APJ (Associação Paulista de Jornais), como surgiu a ideia de criar o Humanidade 2012.
O projeto é inspirado na tendência cada vez mais cristalina de que cada ator social é responsável pela construção de uma nova economia, com crescimento sustentável, comprometimento ambiental e redução das desigualdades sociais. Segue a íntegra da entrevista:
APJ - Como surgiu a ideia de participar da Rio + 20 dessa forma?
Skaf - O Brasil exerce hoje um importante papel como um dos líderes globais no debate sobre desenvolvimento sustentável. A indústria, responsável por grande parcela desse desempenho, não poderia ficar fora de discussões que interferem diretamente no comportamento da sociedade mundial. Criamos o espaço Humanidade 2012 para engajar a população nessa discussão. O espaço é democrático, com portas abertas, não é para ter cara de empresa, nem de produto, nem de setor e sim cara de Brasil. É um convite para que a sociedade reflita e participe de um tema crucial para as próximas décadas, que é como aliar o crescimento econômico ao desenvolvimento social e à conservação ambiental.
APJ - Como esse projeto pretende mobilizar e engajar a sociedade, especialmente aquela que está alheia às discussões sobre a Rio+20?
Skaf - O espaço Humanidade 2012 é um evento que reunirá debates e seminários de alto nível que incluem diferentes temas e diversas áreas, além de uma exposição inédita, aberta ao público. Será uma oportunidade para mostrarmos como os setores produtivos brasileiros encaram a sustentabilidade em seu dia a dia, com ações e iniciativas inovadoras e ousadas. O próprio projeto, que leva a assinatura da Bia Lessa, diretora e cenógrafa, foi idealizado para mostrar que nós todos somos responsáveis pela construção de uma nova economia, com crescimento sustentável, comprometimento ambiental e redução das desigualdades sociais.
APJ - Quais serão os temas que esse projeto da indústria discutirá durante a Rio + 20?
Skaf - O Humanidade 2012 é um evento paralelo da Rio+20 e reunirá o empresariado nacional, internacional, especialistas e representantes do governo. O objetivo é abordar questões importantes como produção e consumo sustentável, mudança do clima, setor energético, segurança alimentar, tecnologias de agronegócios e biodiversidade. A questão da educação também será abordada tanto pela Fiesp como pela Firjan. Há vários projetos das entidades com a participação dos professores e alunos da rede Sesi/Senai, e também de escolas públicas. O nosso objetivo é transmitir aos professores conceitos de educação, inovação e sustentabilidade para que, em seguida, eles possam aplicar tais conhecimentos em salas de aulas.
APJ - O que a Fiesp especificamente tem para mostrar?
Skaf - A Fiesp quer compartilhar com o grande público as iniciativas da indústria ao longo destes anos no sentido de consolidar as bases do desenvolvimento sustentável, com inclusão social, erradicação da pobreza e os necessários cuidados com o meio ambiente para que o futuro da humanidade possa ser assegurado. O papel da indústria, um setor econômico forte e determinante em todas as economias, é fundamental nesse debate e, mais do que isso, na implantação das ações que vão assegurar esse futuro com qualidade de vida para todos.
APJ - E de que maneira a indústria brasileira vem trabalhando a sustentabilidade em seus processos?
Skaf - A indústria vem promovendo investimentos em pesquisa e inovação, gerando emprego e renda e aprimorando procedimentos que não levavam em conta seu impacto ambiental há pelo menos três décadas. Nesse período, várias iniciativas foram concretizadas. Redução de desperdícios de materiais na produção, uso sustentável dos recursos naturais de florestas e biomas, redução de uso de materiais na fabricação de produtos. É importante ressaltar que o setor produtivo, mesmo não sendo o principal emissor de gases de efeito estufa no Brasil, tem se mobilizado há anos. E em alguns setores, como o químico, tem se mobilizado há décadas para a redução desses gases, sempre na medida em que não haja perda da sua competitividade.
APJ - Qual a mensagem que se pretende passar ao mundo com essa exposição?
Skaf - A ideia de que, no Brasil, temos preocupação e, mais do que isso, que há ações concretas na busca do desenvolvimento sustentável. Na exposição às pessoas vão perceber, de maneira lúdica, como esse conceito já faz parte do dia a dia dos setores produtivos no País e quanto eles são modernos quando se trata de pensar no futuro do planeta. Queremos que o visitante tenha uma experiência única. Estamos convidando a sociedade a pensar e a refletir num modelo possível de desenvolvimento, mas que não perca de vista o nosso passado, que tenha em mente nossas ações do presente e, principalmente, tenham um comprometimento com o futuro.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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