As tradicionais famílias com pai, mãe e três filhos que representavam o perfil dos lares de Franca no passado têm perdido cada vez mais espaço. Primeiro, porque vem caindo o número de filhos e de casamentos. Segundo, porque está subindo o número de pessoas que moram sozinhas por opção ou necessidade. Atualmente, o total de domicílios com um único morador, 11.174, supera o de lares com cinco moradores, 10.700. O time dos sozinhos já representa quase 12% das 97 mil moradias francanas.
Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e fazem parte do levantamento do Censo 2010, que revelou ainda que o total de mulheres “desacompanhadas” em casa ultrapassa o de homens. Elas estão, segundo a pesquisa, em 54% desses lares. O Censo não traz informações a respeito da idade desse público nem em que bairros há mais pessoas sozinhas.
O volume de pessoas morando sozinhas deu um salto em dez anos. No Censo de 2000, era de 6.700. “Hoje, quando fazemos pesquisas domiciliares, é cada vez mais comum encontrarmos pessoas vivendo sozinhas. A quantidade de filhos por casal e o número de casamentos diminuíram enquanto a facilidade para adquirir um imóvel aumentou muito, o que acaba favorecendo essa condição”, disse Eurico Campos, técnico em informações geográficas e estatísticas do IBGE.
Tendência nos grandes centros, em Franca a turma dos sozinhos cresceu quase 67%, bem mais que a população. Segundo o IBGE, em 2000 Franca tinha 287.737 pessoas e hoje tem 318.640. O aumento em uma década é de pouco mais de 10%.
Segundo a socióloga Maria Rita Carvalho, para muitos morar sozinho não é sinônimo de solidão e representa mais uma opção de vida. “Quando a pessoa decide morar sozinha ela sai mais de casa para socializar ou começa a receber os amigos para jantar. É uma experiência que com o tempo a pessoa toma gosto e começa a se descobrir.”
Mas, de acordo com a socióloga, nem todas as pessoas se sentem bem morando sozinhas. “Não funciona para todos e muito menos para todas as fases da vida. Há pessoas que se fecham e podem se tornar depressivas.”
Entre os fatores que mais levam uma pessoa a morar sozinha em casa ou apartamento estão a saída da casa dos pais, a perda do cônjuge e o divórcio. No caso das mulheres, a entrada no mercado de trabalho e a melhoria da renda também influenciam na decisão de morar sozinha.
A escriturária aposentada Cecília Vanzolin, 58, é um exemplo. Ela se separou do marido há 12 anos e diz que, como trabalhava fora e tinha um bom salário, conseguiu manter a casa sozinha. Com o tempo mudou para um imóvel menor e recusou o convite dos filhos para morar com eles. Adepta de caminhadas, não dispensa jantares e viagens com as amigas, consegue buscar os netos na escola e ainda faz aulas de artesanato. Depois de dois casamentos, não passa pelos seus planos outro casamento. “Namoro, mas não quero viver junto. Estou bem sozinha na minha casa.”
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