A empresária Simone Dias Barbosa Silveira, 46, é mãe de Mayellen Eduarda Silveira, a jovem de 21 anos que morreu após sofrer um acidente de carro e cair no córrego dos Bagres em janeiro deste ano. Na semana passada, Simone acompanhou as notícias sobre as duas mortes ocorridas em Franca nas mesmas condições e reviveu seu drama. Ela afirmou que agora pretende se unir aos familiares das vítimas para protestar. A ideia de Simone é organizar uma campanha para pedir que a Prefeitura providencie a instalação de contenções na beira dos córregos Cubatão e Bagres.
“Vamos ganhar as ruas para nos manifestar. Isso não vai trazer minha filha de volta, mas acho que vale para evitar outros acidentes nas marginais e para que outras famílias não passem a mesma dor que nós.”
Em fevereiro, o empresário Jairo Manuel Silveira, 47, pai de Mayellen, procurou os vereadores para pedir apoio à instalação de equipamentos de proteção às margens dos córregos. Também se encontrou com o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) numa loja de materiais de construção e comentou que era pai de Mayellen e sentia necessidade de os córregos serem protegidos.
“Na Câmara, os vereadores falaram que iam tentar, mas passou o tempo e não fizeram nada. Eles só lembram em época de eleição. Eles vão nos enrolar e vai morrer muita gente ali ainda. Se um dia morrer um ente querido deles, aí algo pode mudar”, disse Jairo.
LEMBRANÇAS
Mayellen sofreu acidente na madrugada de 27 de janeiro quando seguia pela avenida Antônio Barbosa Filho, na altura da Tunicar. Chovia forte no momento da tragédia e o Corolla que ela dirigia rodou algumas vezes na pista até cair dentro do córrego dos Bagres. O laudo da autópsia apontou morte por traumatismo craniano e não afogamento. O corpo foi arrastado pela correnteza e encontrado a 2,5 quilômetros do local do acidente somente 54 horas depois. Ela retornava para casa. Vinte minutos antes havia falado com a mãe por telefone.
O acidente do último dia 8 fez a família de Mayellen reviver os momentos de tristeza que enfrentaram. “Estou muito abalada. Veio aquela tortura tudo de novo”, disse Simone, chorando.
A empresária, que é espírita, disse que pediu ajuda à filha para que Sara fosse encontrada e acredita que foi atendida. “Na segunda-feira, estava anoitecendo e passei com meu marido de carro perto do córrego e vimos os familiares procurando pela Sara. Na hora rezei e pedi para a Mayellen: ‘minha filha, ajuda a encontrar a Sara, mostra onde ela está para acabar com o sofrimento dessa família, o mesmo desespero que passamos’. Na manhã do dia seguinte, a Sara foi encontrada.” Simone disse que recebeu, então, uma mensagem de um médium no centro espírita avisando que Mayellen tinha ajudado a localizar Sara. “E ela estava no mesmo lugar em que a Mayellen foi encontrada.”
RECOMEÇO
Simone e o marido Jairo ainda se recuperam da perda da filha caçula. Não conseguiram desmontar seu quarto. Passaram a conviver com traumas e medos. Jairo evita circular pelas marginais porque sempre que avista os córregos se lembra da morte da filha. “Se tivesse jeito de nunca mais passar por ali, não passava porque a lembrança que a gente tem é muito forte, volta tudo, é muito triste”, disse ele.
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