Pelo menos um veículo cai nos córregos de Franca por mês


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Local em que o carro com 4 pessoas caiu no Cubatão no último dia 8 ainda tem as marcas do acidente
Local em que o carro com 4 pessoas caiu no Cubatão no último dia 8 ainda tem as marcas do acidente

A morte de três francanos neste ano devido à queda de veículos nos córregos dos Bagres e Cubatão reacendeu a discussão sobre a necessidade de instalação de equipamentos de proteção nas margens dos canais. Muitos sugerem a construção de muretas de concreto ou a instalação de guard rails para evitar novas quedas. Para especialistas na área de trânsito, as barreiras de proteção são necessárias, mas o comportamento dos motoristas também precisa mudar.

No último um ano e meio, ao menos 20 veículos caíram no leito dos córregos que cortam a cidade. Só neste ano, foram sete quedas, segundo levantamento da reportagem.

O levantamento é baseado nas notícias publicadas pelo Comércio desde janeiro de 2011. O Bagres e o Cubatão cortam duas das principais avenidas de Franca, a Hélio Palermo e a Ismael Alonso Y Alonso, respectivamente, e somam mais de dez quilômetros de extensão. Parte dessa extensão tem árvores, vasos de flores, muretas ou algum tipo de barreira, mas há muitos trechos sem nenhuma proteção.

A queda mais recente aconteceu há pouco mais de uma semana, num trecho onde não há muretas margeando o córrego Cubatão, na avenida Alonso y Alonso. Envolveu um carro com quatro pessoas da mesma família. O motorista, de 78 anos, e sua neta, de 15, morreram. Chovia no momento do acidente e ele perdeu o controle do veículo. As causas ainda estão sendo apuradas. 

REDE SOCIAL
Nesta semana, foi criada numa rede social uma campanha em prol da instalação de peças de proteção nos córregos de Franca. O manifesto “Chega de Mortes nos Córregos de Franca” pede providências às autoridades. Uma foto do córrego dos Bagres com uma cruz teve 2.350 compartilhamentos até a última sexta-feira.

Além da construção de muretas ou guard rails, os francanos querem a colocação de redes ou estacas de 20 a 30 metros de altura no interior dos canais para evitar que os carros sejam arrastados e para que as pessoas possam se segurar, caso sejam levadas pela correnteza. O veículo envolvido no acidente do último dia 8 foi arrastado por mais de dois quilômetros, assim como os dois passageiros que morreram.

BARREIRAS
O médico Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diretor de comunicação da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) defende a instalação de barreiras às margens dos córregos. Para ele, a proteção ao longo dos rios poderia ser feita com as muretas de concreto, guard rails ou guias mais elevadas. A medida padrão do meio fio é de 20 a 30 centímetros mas, no caso dos córregos, segundo ele, deveria ser de 50 centímetros. “A única solução para proteger veículos e pedestres de caírem nos córregos e rios é ter as guarnições. Se ocorrer o impacto, o veículo joga a energia sobre a mureta ou a guia, diminuindo os vetores de força.”

Segundo o especialista, o impacto na mureta não aumenta necessariamente o risco de lesão. “O motorista tende a impactar de maneira lateral, então a energia de impacto vai ser pequena.” A velocidade máxima permitida nas avenidas de Franca é de 60 km/h.

COMPORTAMENTO
Outros especialistas na área de trânsito são a favor de investimentos na parte estrutural dos canais, mas ressaltam que isso não basta. Evitar novas quedas depende também da mudança de comportamento de motoristas e pedestres. “Existe uma ação humana que provoca a queda nos córregos. Temos que entender que existem medidas que vão melhorar a segurança, mas não evitar que o problema ocorra. O que tem que acontecer é não cair. Tem que ter prudência das pessoas”, disse o engenheiro de tráfego Alexandre Chioca.

Chioca critica a falta de habilidade dos motoristas em Franca e se arrisca a estimar que, se fosse feito um “pente-fino” no trânsito da cidade, não sobrariam 60% de condutores com capacidade de dirigir.

“Todo mundo se acha bom motorista e técnico de futebol. Precisa ter os equipamentos no córregos, sim, para evitar quedas, mas tem que ter uma formação de cidadãos e de motoristas com noções de direção defensiva, leis de trânsito, regras e que tenham senso de viver em sociedade, tenham educação. As pessoas acham que estão sozinhas no trânsito.”
 

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