Uma promessa feita pela dona de casa Elza Aparecida Ferreira para a recuperação da irmã que ficou em coma durante 60 dias garantirá, no próximo dia 30, a realização de mais uma festa junina na Chácara Recanto Canarinho. A festança reunirá mais de cem pessoas entre familiares, amigos e vizinhos e ajudará, apesar da modernidade, a manter viva por mais um ano a cultura “caipira” em Franca.
Com direito a comidas típicas, roupas xadrez e decoração com bandeirinhas, a tradição de comemorar os três santos de junho - Santo Antônio, São João e São Pedro -, embora tenha perdido força na cidade, ainda envolve escolas, empresas, igrejas, grupos de jovens e populares que se unem e realizam as festas na rua, onde cada morador participa, geralmente, com a doação de um quitute.
Segundo a Divisão de Trânsito da Prefeitura de Franca, desde o começo do mês ao menos seis pedidos foram feitos para interdição de vias com essa finalidade. Até o fim de junho, o número deve triplicar e só não será maior porque a maioria dos festeiros prefere fazer o “arrasta pé” em chácaras, sítios e ranchos.
“Começamos por brincadeira. Eram poucas pessoas. Com o tempo foi crescendo e cada um trazia mais um conhecido. Quando pensei em parar fiz a promessa e agora vou fazer a festa enquanto estiver viva”, disse Elza, que promove a celebração junto com o marido, o empresário Vanderlei Bráulio Costa, mais conhecido como Canarinho, o casal de filhos, o genro e o neto.
No arraiá deste ano, a família oferecerá bolos, quentão, milho cozido, pipoca, amendoim e vinho quente. Caberá aos convidados levar o restante das comidas. Como pede a tradição, a festa contará ainda com a reza do terço, o levantamento do mastro dos três santos juninos e fogueira. Os anfitriões ainda procuram um sanfoneiro para animar a noite.
Gabriela Engler Marques, professora de história e pesquisadora de cultura e cantos populares do Brasil, diz que a tradição ainda resiste em Franca, mas precisa ser mais preservada e multiplicada. “Hoje as festas juninas estão mais a cargo das escolas e há também algumas iniciativas localizadas, mas em muitas festas as tradições estão sendo suprimidas pela cultura de massa.”
Também proprietária do Espaço Cultural Ciranda, Gabriela defende o resgate das festas típicas principalmente para as gerações mais novas. “As festas juninas fazem parte da nossa identidade, da construção do ser brasileiro.”
COMÉRCIO
Para quem comercializa produtos alimentícios e trajes típicos juninos, a manutenção das festas favorece as vendas. Na loja de Fogos Beto, junho é considerado o melhor mês e supera até dezembro. “Vendemos desde estalinhos até baterias com fogos coloridos e tiros”, disse o proprietário, Carlos Roberto Gomes, que estima aumento de 50% nas vendas em comparação com os outros meses.
Na Comercial São Gabriel a comercialização de vestidos, camisas xadrez, lenços e chapéus de palha está aquecida desde o começo do mês. A expectativa é vender em torno de 120 peças de cada item até o fim das festas. Mesmo movimento é registrado na Comercial São Sebastião, onde há procura tanto por peças infantis como de adultos. “Vendemos de 20 a 30 peças de cada produto por semana”, disse a gerente da loja, Angelita Matos.
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