Fahim Youssef Issa Neto está, desde ontem e oficialmente, presidente do futebol da Francana
Foi aclamado depois de apresentar-se candidato único ao cargo. Tenho-o acompanhado desde que passou a integrar o Conselho Deliberativo do clube. Integrou gestões de outros presidentes. Sorria pouco. Não praticavam era sua forma de ver as coisas. Podia ter desistido, mas não.
Percorreu um estrada tortuosa. Tornou-se presidente do Conselho Deliberativo. Há dois anos, viu eleição aproximar-se sem candidatos. Para não deixar a bola cair, acumulou as presidências do Conselho e da administração executiva. Sem alguém neste cargo, a Francana não teria participado de certames oficiais.
Percebia-se seu estilo. Colocou férreas rédeas nas contas e não permitiu despesas sem receitas. Fez a Copinha do ano passado e a A-3 deste ano. Agradeceu a parceria com o América de Minas Gerais, que o experimentou como mandatário. Formou bons times. Enrijeceu o olhar quando os resultados não vieram sob as ordens de Wantuil Rodrigues, mas, mesmo engolindo seco, cumpriu o que tinha estabelecido com ele. De novo, podia ter deixado tudo, dívidas dos torneios que disputou, saneadas. De novo, não.
Tinha mais um desafio pela frente, a tal Copinha, torneio caça-níqueis que a Federação inventou para manter em (alguma) atividade os arrasados clubes do interior de São Paulo. Parte da diretoria queria que a Francana apenas figurasse, com grupo de atletas de base. Fahim, não. Lançou seu nome à sucessão. Não lhe apareceram concorrentes. Melhor.
Penso que tenha sido atingido pelos ventos da renovação esportiva que serpenteiam a cidade – vide o basquete. Tinha cacife: chamou os jogadores que mais se destacaram nos dois últimos campeonatos e eles voltaram. Não voltariam se tivessem sido tratados como em outras administrações, débitos pendentes. Fahim acha que o time que melhor se acerta na Copinha pode ser o grupo que sobre na A3 do ano seguinte. Temos que respeitá-lo.
Não tenho procuração para falar de Fahim ou defendê-lo. Apenas observo, pergunto, verifico, convenço-me, ou não. Vi de tudo ao longo dos 52 anos nos quais acompanho o futebol da Francana. Lembro-me dos incontáveis que utilizaram o clube como trampolim para sonhos de todos os tipos, especialmente, políticos. E também os vi correrem após resultados vexatórios, deixando dívidas para os incautos novos que sempre apareceram para tentar a sorte neste que é um dos clubes mais antigos do Brasil.
O resultado desses desajuizamentos está tatuado nos consideráveis arranhões que a imagem da associação ostenta hoje. Podem ser comprovados, especialmente, na decomposição judicial do patrimônio que é o Estádio Cel. ‘Nho Chico. Há centenas de causas trabalhistas e dívidas de todos os tipos sendo pagas com quinhões do imóvel que a Sociedade São Vicente de Paulo doou ao clube nas primeiras décadas do século passado. Fahim tenta mudar tudo isso, fazendo quase mágicas. A receita, projetos baseados em seriedade, responsabilidade e sobriedade financeira.
Eu já disse aqui que a Francana, por ter admitido sua desacreditação como produto, deveria encaminhar seu fechamento. O bom produto de outras eras foi ficando bichado. Quem, em são consciência, coloca dinheiro bom em produto ruim? Fahim, pelo que já demonstrou, pode ser o comandante de bordo que direcionará os fortes ventos de renovação esportiva que sopram, na Francana.
Tomara que a economia da cidade observe, reconheça e o apoie. Não há propaganda mais barata que a esportiva. À custa de um ou dois bons orçamentos eficazmente conduzidos, Prefeitura, ACIF, sindicatos, empresas, instituições, comércio e serviços podem recolocar a cidade nos cenários principais do futebol brasileiro e beneficiarem-se, por largo tempo, do feedback econômico, comercial e institucional que resultará. Somos o País da futebol, da Copa, não somos? Então! Este é o tempo.
HELINHO
Helinho Garcia deixou o basquete de Franca, missão cumprida e reconhecida. Podem ter sido ouvidas vozes dissonantes quanto às suas últimas performances, mas nunca, contestações à perfil de gente reta em quaisquer áreas de sua vida cidadã. Honro-o. Foi sempre um homem de caráter, presente, educado, disponível. Esta semana eu soube que ele deixou suas atividades pessoais e profissionais para ir, pessoalmente, à casa de um jovem que passa por problemas. Fossem todos os ídolos como Helinho, este seria, sem nenhuma dúvida, um mundo melhor.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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