A ideia cristã de igualdade, felizmente, acabou prevalecendo e as mulheres de nossos dias ocupam seu devido lugar na sociedade ativa. Evidentemente que ainda falta muito a conquistar, no entanto, os avanços realizados bastam para demonstrar a importância da contribuição feminina para o progresso humano.
Observando-se que a Doutrina Espírita nos contempla, primeiro, na condição de espíritos para, só depois, considerar-nos a representação física, somos levados ao convencimento de que a essência, o espírito, que habita provisoriamente um corpo na face planetária, destina-se ao cumprimento de missões designadas pelas sábias e justas leis de Deus. Dessa forma, podemos estar como homem ou como mulher, dependendo das nossas necessidades evolutivas. É que o que somos é espírito e o espírito não têm morfologia sexual senão aqueles cujo entendimento se demora nos graus da inferioridade, julgando-se de natureza material e, por conseguinte, ainda psiquicamente carregado da característica sexual que lhes prevalece.
A par de suas conquistas, contudo, as mulheres ainda estão submetidas a novos desafios. A nosso ver, o maior deles é o de não se deixarem iludir pelas conquistas materiais, o que as faz tornarem-se semelhantes aos homens. Os apelos ao individualismo, ao materialismo, ao consumismo estão por toda parte, fazendo, muitas vezes, com que as mulheres se esqueçam dos sagrados e insubstituíveis deveres que a sua condição feminina lhes outorga. E, indubitavelmente, o principal deles é a maternidade. Quantas mulheres, iludidas pela conquista de postos de trabalho, de status social, de dinheiro, adotam radicais métodos contraceptivos, transferindo a outras a sublime tarefa.
A mulher pode e deve, sim, almejar postos, ganhos, posições, realização como ser humano. Que tal realização, todavia, não se dê à custa do descuido da sua sublime missão maternal.
Dirão alguns: mas, a tarefa não é só da mãe, é também do pai! Evidentemente! A interação conjugal é fundamental, porquanto, nos casos contrários, os casais são, invariavelmente, levados ao fracasso na criação e educação da prole. Ganha-se materialmente, perde-se espiritualmente.
É preciso, por isso, que a mulher, devidamente auxiliada pelos demais familiares, não descuide da sublime missão da maternidade, conciliando, tanto quanto possível, suas tarefas profissionais com as intransferíveis tarefas de dentro do lar. E é isto que significa o que, modernamente, chama-se de família sistêmica. Há casos em que tais arranjos são impossíveis, cumprindo-nos conformar com o ditado: ‘o que não tem remédio, remediado está’. Que isto, entretanto, não nos leve à prejudicial acomodação.
Todos devemos lutar por leis mais justas, com vistas ao amparo seguro e completo à mulher que se propõe ao sagrado desempenho da maternidade.
E, então, poderemos conclamar, felizes, que a nossa é, realmente, uma civilização adiantada.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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