Imponderável. Tenemos que creer


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Uma agulha fincada num pedaço de papel. Seria um lembrete? A pia da cozinha vazando. Um vento forte. Pancadas na porta da sala.

Ela vai até lá, destranca o portão. Olha para todos os lados. Ninguém na rua.

Volta à sua ocupação anterior. O cachorro, fiel companheiro, começa a latir. Ela acompanha o olhar do cão que rosna exaltado. Não vê nada.

Levanta-se, esquadrinha cada canto da casa. Acende todas as luzes. Nada, “tudo azul na América do Sul”. Um pio de coruja ao longe, um latido sentido de algum cão solitário.

Um pequeno camundongo atravessa a sala e se esconde sabe se lá aonde. Com coração aos pulos, sobe em cima da escada. O cachorro no colo se contorce todo enquanto ela reza misturando todas as orações. Chama por todos os santos e santas conhecidos e uns novos para acudi-la naquele infeliz momento.

Alguma coisa se espatifa no quarto. E agora? Decide. Desce da escada. Vai até lá. Um vidro de perfume passa rente a sua cabeça. A porta do guarda-roupa se abre e ela vê o pequeno frasco se alojar lá dentro. Que cheiro é esse meu Deus! “No creo em brujas, pero que las hay, hay...”— pensou aflita.

Vozerio na rua. Finalmente alguém para pedir ajuda...Um baque surdo na calçada. Silêncio novamente. Cadê coragem de ir até lá?

Barulho de maçaneta se abrindo. Esquecera de passar o ferrolho.

Olhos esbugalhados, mãos trêmulas, pernas bambas, coração saindo pela boca. Passa pelo espelho e não vê... a imagem refletida. O que é isso Santo Deus!

Cheeeeeeeega!!!

Chega de sustos!——Grita histérica.

Ordena com sofreguidão.” Voltem já para dentro do livro!” As cenas se encolhem em forma de frases e palavras e vão se encaixando obedientes diante de seus olhos assustados.

“Ufa!”

“Mas espere...” “O que é está palavrinha, aqui, debaixo de meus pés?”

Mistério.

O barulho recomeça-...
 

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