Rio + 20


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Em 1992, a capital fluminense sediou uma das mais importantes conferências do final do século passado. Conhecida como Rio-92, dela participaram mais de 170 países, incluindo 108 chefes de Estado, empresários, cientistas e ambientalistas. Em pauta estava a difícil missão de conciliar crescimento econômico, justiça social e conservação ambiental.

E a julgar pelos vários acordos que ali nasceram, é possível dizer que os resultados não foram de todo ruins. Entre outros, tivemos a Convenção sobre Mudança do Clima, para tratar do problema do aquecimento global e a Convenção sobre Biodiversidade, para promover a conservação dos vários biomas que ainda resistem ao nosso avassalador desenvolvimento econômico.

Porém, se há 20 anos a tarefa estava cercada de otimismo, agora parece mais pessimista. Afinal, os avanços, apesar de efetivados, foram pequenos e não aconteceram sem os tradicionais retrocessos. Além disso, a recente crise mundial, os problemas enfrentados pela Europa e a necessidade de incrementar o consumo para que a engrenagem do capitalismo continue funcionando fizeram com que alguns interesses particulares e/ou nacionalistas voltassem a falar mais alto, mostrando que existem limites para as decisões diplomáticas ou consensuais entre países e conglomerados empresariais.

Entre crises e desencontros, os países e seus representantes parecem mais desconfiados e descrentes em relação a essa conferência. Acreditam que dificilmente será firmado algum acordo mais concreto. Ao contrário, muitos apostam que seus resultados ficarão restritos ao âmbito da intenção, longe de qualquer possibilidade de realização mais efetiva.

Enquanto isso, os problemas ambientais continuarão sua marcha. Indiferentes as nossas discussões ou às belezas da cidade maravilhosa, as calotas polares continuarão seu processo de derretimento, os rios continuarão sendo assoreados e poluídos e a indústria automotiva continuará colocando no mercado milhões e milhões de veículos poluidores que dificultam cada vez mais o trânsito e a vida nos grandes centros urbanos.

No entanto, mesmo consciente de que as negociações em torno do documento que definirá as metas do desenvolvimento sustentável para os próximos anos não estão tão avançadas quanto a ONU gostaria, o porta-voz das Nações Unidas na Rio+20 mostrou-se otimista, afirmando que essa conferência deverá ser um ponto de partida, não de chegada ou de definições.

A despeito de se concordar com esse otimismo e compreender as dificuldades que cercam essas discussões, tendo em vista a força do viés econômico sobre o social e ambiental, é preciso atentar para um ponto interessante nessa afirmação, caso se concorde com ela. Após 20 anos de lutas, conquistas, desenvolvimento e retrocessos a humanidade voltou ao ponto de partida. Simbolicamente, se o Rio foi o ponto de partida, é possível inferir que as discussões voltaram para o mesmo lugar, o que é no mínimo preocupante.

Resta saber se o meio ambiente vai esperar pelas nossas decisões.
 

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