Um ano depois que as 72 casas construídas para famílias carentes no Prolongamento do Jardim Santa Bárbara foram entregues pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), aos poucos, os imóveis, apesar da simplicidade, começam a ser transformados e vão ganhando nova cara. Pelo menos 28 casas estão muradas, ganharam portões ou passam por reformas para ampliação. As famílias aproveitam o espaço livre no quintal e na entrada das residências para aumentar os cômodos ou construir garagens para veículos.
A dona de casa Ana Paula Ferreira das Graças, 33, e o marido, o borracheiro Alex da Silva, 27, tinham planos de ter filhos depois que conquistassem a casa própria. Em junho de 2011, quando se mudaram para uma das casas populares do Santa Bárbara, ela começou a tentar a engravidar. Conseguiu e está no nono mês de gestação. O caçula de três filhos deve chegar no próximo dia 20. Quatro dias depois, 24 de junho, completará um ano que a família está em novo endereço.
Moram na casa com Karolina, 18, que é sapateira, e o estudante Wesley, 14, filhos do primeiro casamento de Ana Paula. O imóvel possui dois dormitórios e, como a família vai aumentar, será preciso ampliar os cômodos. Há duas semanas começaram as reformas. Com ajuda do sogro, que é pedreiro, e de outros parentes, os moradores aumentaram a altura do muro, instalarão portões, ampliarão a cozinha e construirão dois quartos - em forma de sobrado - nos fundos. Um deles será para o bebê. A casa ganhará nova pintura.
Os ajudantes trabalham durante a semana e se dedicam às obras na casa de Ana Paula, na rua Alely Antunes de Paula, aos sábados e domingos. A expectativa é ter o imóvel reformulado para o Natal. A dona de casa acredita que investirá cerca de R$ 10 mil na reforma. “Usamos parte do salário do meu marido, da minha filha e as economias que fiz trabalhando como cabeleireira. Guardei na poupança uns R$ 3 mil. E a gente não gasta mais com aluguel, o que ajuda”, disse ela, que morava no Jardim Aeroporto III e pagava R$ 250 por mês pela locação. “Investir no meu lar é prazeroso. Como sempre comento, a gente tem que investir primeiro na casa, para ter conforto.” Ana Paula paga R$ 100 de prestação e deve quitar o imóvel em 25 anos.
A doméstica desempregada Corina Alves da Silva, 62, é vizinha de Ana Paula e também contou com ajuda de parentes para reformar a casa no Santa Bárbara. Mas ela começou antes. Poucas semanas depois de se mudar, há um ano, seu genro construiu muros e colocou portões no imóvel. “Eu ficava sozinha em casa e com medo. Um dia meu genro chegou e eu estava chorando e aí expliquei que era porque tinha medo. Antes do portão, jogavam pedras e judiavam da cachorra que ficava aqui no fundo. Entrava muita poeira por causa da falta do asfalto.”
Corina mora com o marido, o serviços gerais Antônio Santos, 67, e o filho Adilson. Costuma receber os netos aos fins de semana. São 12. Ela pretende construir um terceiro dormitório para acomodá-los melhor. “Eu arrasto o sofá da sala para um canto e coloco o colchão no chão para eles dormirem. Mais pra frente quero aumentar a casa porque meu povo é muito. Só meus netos enchem isso aqui.” Corina morava numa casa alugada no Jardim São Luiz por R$ 260 e esperou cerca de 20 anos até ser contemplada com o imóvel.
A dona de casa Angélica Porto, 29, também tem planos de construir mais um quarto na residência em que mora na rua Agnelo Vilaça. Ela tem quatro filhos. Ana Cláudia, 9, Fernanda, 8, Carlos Eduardo, 5, e Carolina, 3, dividem o mesmo dormitório. “Enquanto são pequenos dormem os quatro juntos, mas futuramente ele tem que ter o dele”, disse Angélica.
Por causa da poeira, ela e o marido cimentaram o quintal. Construíram muros e colocaram portão na entrada. Angélica e os familiares moraram por quase seis anos num barraco de lata construído num terreno no Jardim Vera Cruz. Hoje vivem melhor.
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