Festas juninas têm história antiga e interessante; veja se você conhece


| Tempo de leitura: 3 min

O tempo passa, o mundo muda, a comunicação se transforma. Mas o desejo de comemorar as boas colheitas que garantem ao homem alimentos e vida persiste em todas as culturas. No Brasil estamos no mês de junho, onde as festas juninas cumprem esta função de celebração.

Por que em junho e por que juninas? Vamos explicar. Juninas porque derivam do nome do mês mas também do nome mais antigo: joaninas. Este era o adjetivo usado em Portugal para se referir às festas em louvor de São João, a quem sempre recorriam os agricultores portugueses pedindo bom tempo para suas plantações e colheitas. Como o dia dedicado a São João é 24 de junho, aconteceu de se confundir joanina, de João, com junina, de junho.

Como as festas de origem portuguesa vieram para o Brasil? Elas aqui chegaram com os colonizadores que começaram a aportar em nosso país desde o descobrimento. Quando um grupo de pessoas deixa seu país em busca de outro, leva consigo seus costumes. Os portugueses trouxeram muitos, entre eles, as comemorações de junho. Com o passar do tempo, os brasileiros foram agregando outros dois santos comemorados também em junho: Santo Antônio e São Pedro. Estava formado o trio tão querido pelos brasileiros: Antônio (dia 13), João (23) e Pedro (29).

Como o mês de junho é a época da colheita de milho, uma grande parte dos pratos preparados para as festas são feitos à base deste cereal: canjica, bolo de fubá, pipoca, pamonha, curau, broas, bombocados. Aparecem também arroz doce, paçoca de amendoim, pé- de- moleque, batata doce assada. Adultos tomam vinho quente e quentão, bebida preparada com cachaça e calda de açúcar.

As festas juninas variam de uma região a outra, pois nosso país é muito extenso. No Nordeste elas ganham versão mais musical, com bailes animados pelos sanfoneiros. Também há muita comida, à base de milho e coco. No Sul elas são mais estilizadas, com danças herdadas de outros colonizadores- alemães, italianos e espanhóis, e os pratos têm como principal ingrediente o pinhão. No nosso estado misturam elementos como quadrilhas e roupas típicas com quermesses.

Se você já dançou uma quadrilha terá ouvido expressões como “Traversê!, Balancê! Arriê!”. São palavras abrasileiradas, importadas da língua francesa. O país de origem da dança chamada quadrilha é a França. Os portugueses a levaram a Portugal e os portugueses a trouxeram ao Brasil. Em muitas escolas os alunos ensaiam a quadrilha para se apresentarem nas festas juninas. A dança começa com os casais posicionados frente a frente. Os cavalheiros cumprimentam as damas e em seguida as damas cumprimentam os cavalheiros. Trocam de lado. Aí cada cavalheiro busca sua dama e começa um passeio pela roça. É um passeio que vai sendo marcado por frases como: “À direita!, À esquerda! Caminho da roça! Olha a chuva! Olha a cobra!” No final os casais se despedem.

Os pares da quadrilha vestem fantasias. Roupas rodadas, com babados e laços, para as meninas. Roupas rasgadas e remendadas, de “caboclos da roça”, para os meninos. É uma forma de lembrar o tempo em que a maioria da população brasileira morava no campo e se vestia de forma totalmente diversa da de nossos tempos.

Falamos de influência portuguesa e francesa. Mas há outras. O hábito de espocar fogos, por exemplo, vem da China. A pólvora foi inventada neste país onde os fogos de artifício aparecem na maioria das comemorações do povo. Os fogos são elementos muito presentes nas festas nordestinas. Entre nós, paulistas, também se comemora com fogos, mas em menor quantidade. E no sul há uma ”dança de fitas”, muito colorida e bonita, que nos chegou da Península Ibérica (Portugal e Espanha) com os espanhóis e portugueses que para cá emigraram.

Falamos que as festas juninas são herança portuguesa. Mas muito antes de o Brasil ser descoberto, os portugueses, e todos os outros povos europeus, já comemoravam os bons resultados das plantações. Da festa antiquíssima um elemento restou soberano: a fogueira. Ela continua representando a chama da vida. Em torno dela os participantes da festa continuam comendo, cantando e dançando.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários