Quatro dias depois do desaparecimento da estudante Sara Dominciano Pereira, 15, moradora no Jardim Aeroporto II e que foi carregada pelas águas do córrego do Cubatão, a família ainda acredita que ela esteja viva. Desde a tarde de sexta-feira, quando o carro em que a adolescente estava despencou no leito do córrego da avenida Alonso y Alonso, parentes e amigos acompanham o trabalho de busca do Corpo de Bombeiros, que será retomado na manhã de hoje.
A fé da família em encontrar Sara ainda com vida ganha força na religião e nas palavras da auxiliar de laboratório Elaine Dominciano Pereira, 42, mãe da adolescente. “Acredito muito que Deus tenha guardado minha filha em algum lugar, não acredito que ela esteja na água. Acredito que ela deve ter sido arremessada em uma mata, qualquer coisa assim. Que ela recobrou a consciência e se agarrou em alguma coisa”, disse Elaine.
Esperançosos, a mãe e o irmão da estudante, o impressor Samuel Dominciano Pereira Pinto, 18, deixaram de trabalhar para buscar o corpo de Sara. “Entrei (na água) para ajudar, vasculhei o que eu pude. Onde podia entrar, eu entrei”, completou a mulher, agradecendo aos que ajudaram. “Foram familiares, vizinhos, amigos, pessoas que a gente nem conhece. Todos ajudaram muito.”
Para Samuel, procurar ajuda a diminuir o sofrimento da família. “Ver minha mãe naquela situação é difícil. Ela está um ‘caco’, muito preocupada. Não dorme, não come, não faz nada.” Após andar cerca de 5 quilômetros do leito todos os dias desde o acidente, o jovem já sofre na pele os efeitos do contato com a água poluída. “Começou a aparecer umas pintas vermelhas. Empipocou a pele, coceira, mas depois eu tomo uma vacina e já melhoro. Mas eu não estou nem preocupado comigo mesmo, estou preocupado com minha irmã e minha mãe”, disse.
As buscas serão retomadas hoje pela manhã e, apesar das dificuldades e do trabalho insalubre, mãe e filho não pretendem abandonar o córrego. “Amanhã estarei lá de novo. Não consigo ficar em casa. Tenho que estar lá para ver. A união faz a força”, finalizou Elaine.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.