Aposentado é assaltado na porta da igreja no Jardim Aeroporto


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 José Donizete Alves e Lurdes Ramos Bueno Alves mostram a foto da irmã dela, reencontrada três décadas depois de ser levada por uma patroa da mãe
José Donizete Alves e Lurdes Ramos Bueno Alves mostram a foto da irmã dela, reencontrada três décadas depois de ser levada por uma patroa da mãe

Uma família que não se reunia há mais de três décadas, pôde finalmente se abraçar, no último dia 1º, em Novo Hamburgo (RS). E esse encontro só foi possível, através da dedicação e perseverança de uma moradora do Jardim Aeroporto II. Lurdes Ramos Bueno Alves, 40, procurava o paradeiro de sua irmã, Lúcia Ramos Bueno, que aos 6 anos de idade foi deixada aos cuidados de uma antiga patroa de sua mãe, no município de Santa Lúcia (PR).

Maria Andrelina Ramos era empregada doméstica e mãe de seis filhos. Como não tinha condições financeiras de criá-los, tomou a difícil decisão de aceitar a proposta de sua patroa e deixar Lúcia aos seus cuidados. Sete anos depois, quando procurou pela filha, descobriu que ela havia se mudado para o Estado do Rio Grande do Sul. Começava ali uma agonia que duraria 32 anos.

Devido à pouca condição financeira da família, a distância e a falta de informações atualizadas de Lúcia, as buscas pelo seu paradeiro ficavam cada vez mais difíceis. “Eu ligava toda semana para minha mãe e perguntava: Mãe, tem notícia da Lúcia? Mas ela não podia fazer muita coisa, porque ela é aposentada e ganha muito pouco”, disse Lurdes.

Resolveu então apelar para a apresentadora Eliana (SBT) escrevendo uma carta para a produção do quadro Reencontro. Na carta, Lurdes fala em nome de sua mãe e faz um apelo à apresentadora, dizendo que a última informação que teve da filha foi colhida por um funcionário do Fórum de Santa Lúcia (PR). Solidário à situação de dona Maria, ele descobriu que a irmã desaparecida havia justificado seu voto na cidade de Santa Rosa (RS) em meados de 2003.

A carta foi enviada para São Paulo, mas depois de meses de angústia, veio o retorno da produção do programa e com ela outra frustração. Devido ao grande número de casos encaminhados para o programa, a família precisaria aguardar mais tempo para ser atendida.

Em vez de entregar os pontos, Lurdes e sua família mantiveram a esperança de encontrar Lúcia. Foi quando apareceu a boa vontade de Márcio César de Souza, presidente da Associação de Moradores do Jardim Flórida, que soube da história de Lurdes através do marido dela e resolveu ajudar a família. “Eu peguei as informações da irmã da dona Lurdes pela carta e fiz uma busca no Google, mas não apareceu nada. Então, fiz alguns contatos e descobri que ela tinha registrado um boletim de ocorrência em Novo Hamburgo (RS). Fiz uma nova busca na internet com o nome dela e o nome da cidade. Apareceu um registro no site da Prefeitura de Novo Hamburgo, no campo Orçamento Participativo”, disse Márcio.

“Foi emocionante. Ela (Lúcia) chorou de lá e eu chorei de cá, no telefone. Ela perguntou como eu a encontrei, e eu falei que aquela não era hora de explicar. Depois eu explico como foi”, disse sorrindo, Lurdes ao se lembrar da primeira conversa com a irmã.

Lúcia Ramos Bueno tem três filhos, que cria sozinha e passava por muitas dificuldades no Rio Grande do Sul, por isso, segundo Lurdes, estava se mudando para casa de sua mãe no Paraná. “Hoje (terça-feira) ela e os meus sobrinhos estão viajando para a casa da minha mãe. Vão morar lá. Lúcia estava passando necessidade, pagando aluguel e recebendo apenas pensão (alimentícia) de um dos filhos. Nas férias de julho, estou me programando para encontrar com ela”, planejou a dona de casa, feliz com família toda reunida outra vez.
 

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