Agentes da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) foram chamados para atender na tarde de ontem uma denúncia de abandono de incapaz. Segundo a polícia, um menino de 7 anos estava trancado sozinho dentro de uma casa no bairro Estação. A mãe do garoto, uma coladeira de peças de 30 anos, estava trabalhando a dois quarteirões do local. Ela disse à polícia que o menino sempre fica sozinho na residência, pois não conseguiu vaga integral em uma escola. O caso será apurado em inquérito na delegacia. O Conselho Tutelar acompanhou a ocorrência e prometeu ajudar a família a conseguir um lugar em uma unidade de ensino.
Uma denúncia anônima de que a criança estaria trancada sozinha dentro de casa e gritando por socorro chegou à delegacia por volta das 14 horas. “Determinamos que a equipe de investigação fosse até o local e realmente constatamos que o menino estava sozinho dentro da casa”, disse a delegada Graciela de Lourdes Davi Ambrósio, da DDM.
Os investigadores conversaram com a criança através do portão trancado pelo lado de fora com um cadeado. O garoto estava bem e o Conselho Tutelar foi acionado para que acompanhasse a criança após ela ser retirada do local. Uma vizinha, que não quis se identificar, informou aos policiais que a mãe da criança estaria trabalhando em uma banca de pesponto a alguns metros da casa.
“Apuramos que ela deixa a criança nesse período porque não consegue, segundo ela, uma vaga na escola em período integral. Ela não conta com o apoio do pai que, segundo o próprio menino, o maltrata e não paga as pensões devidas. Ela trabalha e sustenta a casa sozinha. Faz isso por necessidade”, disse a delegada.
Segundo a coladora de peças, que mora sozinha com a criança e trabalha das 7 horas às 17h10, ela não tem com quem deixar a criança no período da manhã.
“Ele está acostumado (a ficar sozinho), eu deixo todas as coisas para ele. Não falta nada.” A criança confirmou a versão da mãe. “Não tenho medo de ficar sozinho. Eu fico jogando videogame, minha mãe deixa o que comer”, disse o menino.
A mulher e o garoto foram encaminhados à delegacia, onde foram ouvidos e orientados por uma conselheira tutelar.
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