Empresas de curtume de Franca correm o risco de não ter a renovação de suas licenças caso o tratamento utilizado no curtimento de couro não esteja adequado às exigências da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).
A afirmação é do gerente da unidade em Franca, Francisco Setti. Segundo ele, as licenças dos curtumes do município começam a vencer em 12 meses. “Todos os contribuintes que usam o sistema secundário gerenciado pela Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couros e Afins) estão sujeitos a não ter sua licença renovada se o problema de odor não acabar. De 12 a 36 meses todas essas empresas terão de renovar suas licenças, pois o processo é feito individualmente.”
No último dia 30 de maio, a Cetesb enviou uma notificação à Amcoa com a cobrança de uma multa de R$ 36 mil, referente ao mau cheiro causado pelas empresas fabricantes de couro. Desde março, moradores de bairros vizinhos ao Distrito Industrial reclamam do forte cheiro de gás sulfídrico que é gerado durante o processo de tratamento do couro. A Cetesb, junto ao Ministério Público, iniciou um estudo de readequação, que concluiu sobrecarga na lagoa secundária, responsável pela última etapa do processo. Como o sistema secundário é gerenciado pela Amcoa, a multa será aplicada a todos os curtumes contribuintes.
O empresário Mario Spaniol, proprietário do curtume Couroquímica e da fábrica de calçados Carmen Steffens, diz que o problema do mau cheiro é restrito a quatro curtumes do município, que curtem o couro desde seu estágio inicial e produzem o chamado wet blue. “Quatro curtumes são responsáveis pelo mau cheiro, porque são os únicos que têm ribeira e produzem o couro wet blue. O processo do wet blue é que resulta nesse mau cheiro.”
Para Spaniol, a única solução é deslocar a produção inicial do couro para outros locais. “Eu desafio alguém a me mostrar um tratamento de água de curtume que faz wet blue e que não tem cheiro nenhum em dias em que está nublado (dias em que o mau cheiro é mais forte). A única solução é levar a ribeira para o meio de uma fazenda longe da cidade. Não estou aqui para acusar ninguém, mas só para dizer que não adianta tentar. Franca não merece esse cartão postal horroroso para a cidade.”
De acordo com a Cetesb, só é possível notificar os curtumes individualmente se a Amcoa encaminhar documentos oficiais que responsabilizem diretamente as empresas envolvidas. “Esse é um problema de gerenciamento. A Cetesb, quando receber um documento oficial da gerenciadora, pode realmente dizer que tal curtume é o causador de todo esse mau cheiro. Não estamos multando individualmente. Estamos multando a gerenciadora. Se isso não vier, todos os curtumes estão diretamente responsáveis pela emissão”, explica Setti.
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