Um grupo de oito lavradores da Bahia veio para o município de Pedregulho em busca de salários melhores na colheita do café. Mas, depois de 15 dias, a aventura acabou em um inferno. O empregador pagou menos do que prometeu, os obrigou a comprar alimentos apenas no supermercado do qual é dono e, quando se revoltaram pela situação, foram despejados em uma praça da cidade sem ter como voltar para casa.
O lavrador Claudinei dos Anjos Vieira, 27, contou que eles vieram de Vitória da Conquista, na Bahia, depois de acertarem com um “gato” - pessoa que contrata grupos de trabalhadores em uma cidade a mando do empregador - o salário de R$ 9 por alqueire colhido. Um ônibus foi fretado para trazer o grupo. “Fomos para um sítio e o dono nos disse que quem terminasse a colheita não teria desconto na passagem, mas quem não terminasse ele iria descontar.”
O dono do sítio teria instalado o grupo em um barracão de lona improvisado ao lado de latas de veneno e maquinário agrícola. O mais novo do grupo, Bruno Carvalho de Figueiredo, 17, revelou que as condições para dormir eram precárias. “Os colchões eram velhos, muito finos, praticamente dormíamos na madeira. Além disso, o cheiro do veneno do nosso lado era muito forte.”
O lavrador Orlando dos Santos Carvalho, 40, disse que para se alimentar, eles eram obrigados a comprar alimentos no supermercado que pertencia ao dono do sítio. Os produtos eram anotados para que depois fossem descontados do pagamento deles. “Não tínhamos opção de comprar em outro lugar, tínhamos que comprar dele.”
Depois de uma semana, eles receberam R$ 8 por alqueire - valor menor que o combinado. Na segunda semana, o proprietário do sítio informou que eles receberiam R$ 6 por alqueire. Mas quando chamou um deles para pagar, fez com que assinasse um recibo que dizia ter recebido e informou que pagaria em outro momento.
A partir daí, os lavradores se revoltaram e ninguém assinou mais nada. O empregador ordenou que os pertences deles fossem jogados na rua e o grupo acabou desamparado. Foram obrigados a dormir uma noite na rodoviária e decidiram vir para Franca. Acabaram no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e lá receberam apoio.
De acordo com a diretora do sindicato, Sônia de Paula, o Ministério do Trabalho foi acionado e o advogado do empregador chamado. “Os trabalhadores tiveram de dormir uma noite no Abrigo Provisório para resolver a situação no dia seguinte.”
O advogado Eduardo Saad fechou um acordo com os lavradores que contempla a diferença prometida mais direitos trabalhistas e a passagem de volta para Vitória da Conquista. “O acordo foi feito conforme o Ministério do Trabalho e o Sindicato indicaram, já está tudo resolvido.”
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