A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sempre foi de uma teatralidade de colocar inveja aos maiores nomes de nossa dramaturgia. Em um tom geralmente tragicômico ou até mesmo burlesco, todas elas acabam sempre surpreendendo e se superando, tanto em termos das artimanhas construídas em seus enredos como na performance de seus principais protagonistas.
Sua capacidade de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo é incrível. A começar pela teatralidade de sua própria existência, pois é uma comissão que se propõe a investigar aquilo que já foi muito bem investigado por quem é perito e bem mais competente em matéria de investigação, ou seja, a polícia. E justamente por investigarem o já investigado é que nossos parlamentares se entregam a uma inútil investigação de ‘palco’, centrada apenas nos depoimentos de quem ali é chamado para dizer o que todo mundo já sabe.
Mesmo com a clareza de todas as gravações autorizadas pela Justiça, as quais demandariam um simples exame técnico para comprovar-lhes a originalidade, nossos nobres parlamentares insistem na farsa. Constrói-se o cenário, dispõem-se os personagens e lá se vão deputados e senadores em longos, estéreis e enfadonhos questionamentos que estão mais para discurso do que arguição.
E o pior de tudo é que aquilo que deveria ser um diálogo, logo se transforma em monólogo, já que todos os réus se escondem sob o direito constitucional de ficarem em silêncio. Aí é um prato cheio para deputados e senadores que querem apenas a oportunidade de despontar no horário nobre dos telejornais. Sem o mínimo pudor eles se entregam ao exagero de uma interpretação dramática e vazia, com discursos que miram mais os eleitores do que o réu a quem supostamente deveriam arguir.
Uma cena triste para nossa democracia, infelizmente. Uma cena que faz com que boa parte da população descreia ainda mais de nossos políticos e de nossas instituições, o que é ainda pior.
Nesse sentido, seria importante que o legislativo federal começasse a repensar a necessidade ou talvez o formato dessas comissões. Insistir nesses procedimentos que visam apenas ao efeito midiático de sua divulgação e que nada de prático traz para o resultado do processo é mais um tiro que os nobres parlamentares estão dando em seus próprios pés, pelo menos em termos de imagem junto à população.
Em casos como esses, em que as provas e gravações são claras e evidentes, não seria necessário nenhum depoimento dos acusados. O melhor seria que nossos parlamentares afastassem rapidamente aqueles legisladores que fossem pegos cometendo qualquer tipo de delito e deixassem à Justiça comum o dever de julgá-los.
Do jeito que está só é bom para os acusados.
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