Uma criança de 12 anos, moradora na zona rural de Franca, foi surpreendida com porções de maconha e crack na manhã de ontem, dentro de uma escola estadual na Vila Scarabucci. O fato foi descoberto por um agente escolar que viu a aluna da 5ª série jogar os entorpecentes na grama da escola. Outras porções foram encontradas no estojo da garota. Mais duas adolescentes, de 14 e 15 anos, também alunas da escola foram apresentadas à Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Uma delas é acusada de ameaçar e obrigar a menina de 12 a guardar as drogas. Ninguém foi preso.
Essa não foi a única ocorrência registrada ontem envolvendo adolescentes e entorpecentes. Em uma escola do Jardim Cambuí, um jovem de 16 anos foi encontrado com um cigarro de maconha. E numa casa na Vila Nova, policiais militares prenderam outro adolescente de 16 anos com 81 papelotes de cocaína.
A ocorrência na Vl. Scarabucci aconteceu por volta das 8 horas. Segundo a polícia, um agente escolar viu quando a menina de 12 anos jogou um embrulho plástico em um jardim, na área externa do prédio. Após verificar que eram entorpecentes, a diretora da escola acionou a Ronda Escolar.
A mãe da garota, uma dona de casa de 46 anos, acredita que o caso tenha sido armado por outra estudante de 14 anos. “Ela chegou à escola e foi fazer educação física. Entrou no banheiro e essa menina (de 14 anos) entrou junto, falou que era para ela guardar a droga e a ameaçou até de morte.”
Ainda segundo a dona de casa, a menina vinha sendo perseguida desde o começo do ano, quando ela foi matriculada na 5ª série da escola. Após sofrer ameaças, a criança deixou de ir à escola na última sexta-feira e a dona de casa estava decidida a pedir sua transferência na manhã de ontem.
Já a garota de 14 anos, também moradora na zona rural e que vai à escola no mesmo ônibus da menina de 12, deu uma versão diferente aos policiais. Ela disse que a mais nova ofereceu drogas a ela e que decidiu denunciá-la à diretora. Outra garota, de 15 anos, foi levada à delegacia pelos policiais militares como testemunha. “Não temos certeza a quem pertencia a droga. Uma acusa a outra. Registramos a ocorrência e iremos investigar mais a fundo”, disse o delegado Djalma Batista, titular da Dise.
As drogas - 7 gramas de maconha (o suficiente para fazer cerca de seis cigarros) e 4 gramas de crack - ficaram apreendidas na delegacia. As meninas foram liberadas. Foi aberto inquérito para descobrir quem seria o fornecedor que entregou os entorpecentes às meninas. “Elas nunca diriam quem estaria passando essa droga. Sabemos que no mundo do crime, principalmente no tráfico, esse silêncio que se cria entre as pessoas permanece”, finalizou o delegado.
Até o fim da tarde de ontem, a mãe da criança de 12 anos ainda não sabia que providências seriam tomadas pela diretoria da escola sobre o fato, mas afirma que de qualquer forma pretende transferir a menina para outra escola.
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