Ninguém sabe como, mas elas existem. Pessoas que trocam a diversão e o lazer pelos livros e uma rotina de estudos desgastante. Verdadeiros abnegados que adoram gabaritar provas. O assombro aumenta ainda mais quando essas feras dos estudos se dedicam ao famigerado universo das contas, dos números e dos problemas matemáticos. Isso porque essa é uma matéria que castiga milhares de alunos em todo o planeta. Alguns gostam, muitos detestam.
Porém, dominar os números não é fácil e para estimular aqueles que topam esse desafio, o Ministério da Educação criou a Olimpíada Brasileira de Matemática. Na sétima edição, que aconteceu ano passado, participaram mais de 18,7 milhões de alunos das escolas públicas de todo o país. Destes, apenas 3.200 ganharam algum prêmio em uma cerimônia que aconteceu em São Paulo nesse último fim de semana.
Dentre os medalhistas, estão cinco representantes de escolas francanas, que levaram ao pódio a bandeira da terra do sapato e do basquete. Foram três prêmios de bronze, um de prata e um de ouro. Este último brilha no peito do jovem Glauber Amarante e Silva, de apenas 14 anos. E foi justamente ele que conversou com o Se Liga com a árdua tarefa de tentar explicar sua paixão pela matemática.
SUOR E CONTAS
O rapaz é tranquilo, um pouco tímido e sabe conversar. “E me divirto também. Gosto de sair com meus amigos e com minha família”, diz Glauber. Natural de São Caetano do Sul, ele estava na oitava série quando fez as provas e estudava na Escola Estadual “Homero Alves”. “Esta é a segunda vez que conquisto uma medalha nesta competição. A primeira foi um bronze em 2009. Só que, em 2010, eu recebi uma menção honrosa e no ano passado me dediquei ainda mais. Então veio o prêmio”, revela Glauber, que ainda não decidiu o que vai construir quando for adulto. “Estou em dúvida entre engenharia naval e engenharia aérea. São áreas que me chamam muito a atenção e dá para fazer coisas bem legais.”
Nosso campeão divide seu tempo entre as aulas na Escola Industrial, os estudos caseiros, seu trabalho em uma escola de cursos de matemática (ele não recebe salário, mas troca seu serviço por aulas), estuda espanhol e, durante dois dias do mês, Glauber vai até a USP de Ribeirão Preto para realizar um curso especial, um dos prêmios que ele recebeu por ganhar o ouro na Olimpíada. “É tranquilo”, resume.
Mas o que Glauber enxerga na matemática que o resto do planeta simplesmente não consegue? “É muito fácil. Tudo é muito lógico”, explica. É... Também não me convenceu. E vida de competidor não pode parar. Hoje a meta é superar a primeira etapa da oitava edição desta Olimpíada de Matemática. “Quero o ouro, né? Manter o padrão é importante.” Boa sorte!
A COMPETIÇÃO
“A avaliação é de um nível muito diferenciado, prova disso é o baixo número de alunos que conseguiu chegar à final”, explica a professora de matemática da Escola “José Pinheiro de Lacerda”, Juliana Malta de Souza, mestre do aluno Saulo José C. Fernandes, que ficou com a medalha de bronze.
Os campeões de Franca
Medalha de Ouro
Glauber Amarante e Silva
Escola “Homero Alves”
Medalha de Prata
Vinícius Fidelis Domingos
Escola “Vicente Minucci”
Medalha de Bronze
Gabriela Rodrigues Andrade
Escola “Mario D'Elia”
Gustavo da Silva Gomes
Escola “Maria do Carmo Silva Ferreira”
Saulo José C. Dias Fernandes
Escola “Cap. José Pinheiro de Lacerda”
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