Escrevo as minhas crônicas às quartas feiras à noite. Embora minha editora já tenha me pedido para adiantar o dia, ainda não consegui. Escrevo às quartas porque é minha folga no restaurante e porque é dia de futebol na TV, assim posso “fritar o peixe” e dar uma olhadinha no jogo. Sentei-me para escrever nessa quarta e, como de costume, já tinha tema decidido, texto mais ou menos na cabeça. Mas fui inadvertidamente levada para outro lado, e com uma reviravolta em minhas emoções me sinto incapacitada, amarrada. Abri meu e-mail e encontrei uma mensagem da minha melhor amiga me participando o primeiro aniversário de falecimento de seu pai. Não me lembrei, claro, não me lembro mesmo de nenhuma data. Mas me lembrei imediatamente dos cabelos macios e brancos do senhor Candinho, me lembrei do humor inabalável, e da áurea de amor que a gente experimentava quando se sentava ao lado dele.
Simples e descomplicado, amante da natureza, dos bichos, nem um pouco consumista, um bom exemplo para todos. Gostava mesmo era de cozinhar o peixe pescado por ele, num rancho que nem filhas e mulher se atreviam a ir, por estar aquém do simples.
Dito isso, percebo que posso unir meus temas, já que o sr. Candinho tinha dentro de sua casa uma consciência ambiental. Fica então, meu querido amigo falecido como exemplo de pessoa sustentável, justo ele que jamais se imaginou na moda...
E assim posso informar aos meus leitores sobre a Virada Sustentável que busca levar ao público paulistano um modo de vida mais tranquilo, menos estressante, menos caro. A comida entrou pesado no evento já que a organização é a mesma que organiza o já famoso acontecimento “Restaurante Week”, que ocorre em várias capitais.
Vamos lá, o evento começou no último sábado, dia 2, vai até 10 de junho e traz uma proposta diferente: 27 restaurantes aceitaram o desafio de criarem pratos denominados sustentáveis, porque feitos a partir de produtos 100% orgânicos, disponíveis naquela região e estação, aproveitamento completo do alimento, eliminação de desperdício e a minimização do descarte de resíduos para o lixo. Tudo isso sem burlar o estilo gastronômico de cada estabelecimento, claro.
O evento busca vender uma ideia, por isso, o objetivo não é apenas que o cliente coma, goste e pague. Mas que ele possa melhorar o ambiente doméstico através de práticas menos agressivas ao meio ambiente. No menu de cada restaurante haverá receitas e dicas para serem adotadas conforme a consciência de cada um.
Selecionei alguns dos participantes, para quem puder ir conferir: Capim Santo, da chef Morena Leite; o espanhol Eñe, comandado pelos chefs Javier e Sergio Torres; o Marakuthai, da chef Renata Vanzetto; o Eau French Grill, chefiado por Laurent Hervé; o Porto Rubaiyat, do chef Carlos Iglesias; o Quattrino, dentre outros.
O evento da capital paulista tenta difundir e angariar fundos para uma ONG bastante importante: o Banco de Alimentos, uma organização que desde 1999 atua na arrecadação de alimentos, sustentada pelo ciclo da redução da fome por meio do combate ao desperdício de alimentos e a promoção da educação e cidadania em nossa sociedade. Em todos os restaurantes participantes haverá um cofrinho onde os clientes poderão realizar sua doação em prol do Banco de Alimentos. Tudo parece muito bom. Mas, o evento, não é só comida, é “agito” também: teatro, música, atividades corporais, enfim, dá pra se divertir. A organização é ambiciosa e, com um slogan bem humorado, convoca todos os terráqueos a participarem: “Só quem é de fora não precisa se preocupar com o planeta”.
Dica da semana
A dica de hoje tem como tema os croutons, que geralmente acompa-nham sopas e saladas.
Singelos, simples e baratos, os croutons não devem ser relegados só porque servem apenas para o complemento. Devemos fazer tudo bem feito, principalmente quando o assunto é comida.
Na verdade, embora nos pareça estranho, as croustades, os crostinis, as roscas e as bruschettas são tipos diferentes de croutons. Alguns são cortados em fatias, outros em cubos ou discos. Alguns são torrados, outros fritos por imersão, outros grelhados e outros ainda, dourados na salamandra.
Para fazê-los bem, lá vão algumas dicas:
Corte os pães no tamanho desejado, pode ser com ou sem casca. Esfregue, pincele ou espirre ligeiramente os cubos com óleo ou manteiga, adicione sal e pimenta do reino moída na hora.
Os bons croutons tem pouca gordura, são claros e bem temperados.
Para fazê-los no forno, espalhe-os pães cortados na assadeira em uma única camada, vire-os de vez em quando e verifique-os com frequência, pois, se queimam rapidamente.
Para fazê-los fritos, coloque pouco gordura e vá mexendo sempre até que dourem por igual. Para ficarem perfeitos, seque-os com papel absorvente e adicione ervas e queijo enquanto ainda estiverem quentes.
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