Lula indignado


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Reportagem da revista Veja revela que o ex-presidente Lula teria pressionado Gilmar Mendes para adiar o julgamento do mensalão. Em troca, ele teria prometido ao ministro do STF uma blindagem em relação à CPI do Cachoeira. Segundo a reportagem, Lula teria o controle político da CPI e haveria uma suspeita de que o ministro Gilmar teria viajado a Berlim com financiamento do contraventor.

Obviamente, a reportagem estourou como uma bomba em Brasília. Um ex-presidente, em tese, tentando interferir na independência do Supremo não é lá muito recomendado em uma democracia.

No entanto, apesar dos protestos, dos pedidos de investigação e dos ataques e contra-ataques de todos os lados, a tendência é que esse assunto vá perdendo força com o tempo. Alguns dizem até que essa é uma questão mais pessoal entre os dois protagonistas do que qualquer outra coisa. No fundo, sobrarão apenas as acusações de Gilmar Mendes, de um lado, e a indignação de Lula, de outro.

Mas se para Lula restou a indignação pelo teor da reportagem, para os brasileiros restou uma decepção pela suposta atitude do ex-presidente. Não tanto pelo teor do que foi divulgado, a despeito da gravidade do caso, porque ele não foi provado. Mas sim pelo fato de que Lula parece não estar cumprindo o que prometeu ao deixar o governo.

Por essa época, o ex-presidente deixou claro que não ficaria se intrometendo nos assuntos de governo e nem se envolveria nas picuinhas da política partidária brasileira. Ao contrário, ele estaria disposto a voos maiores na política internacional, aproveitando a projeção que conseguiu em seus oito anos de governo.

Esperava-se, portanto, que Lula tivesse um comportamento político mais nobre, de um estadista, preocupando-se com a projeção do país no cenário internacional, e não uma atitude de negociador oculto, supostamente esgueirando-se por casas de amigos com o intuito de negociar blindagens políticas, adiamento de julgamentos ou qualquer outra improbidade mais corriqueira que costuma percorrer os corredores mais sombrios de nossa política cotidiana. A suspeita desse tipo de atitude deixou o brasileiro frustrado.

Nesse sentido, é importante que o ex-presidente repense sua ação política a partir de agora. A despeito de ter ou não pressionado o ministro do Supremo, só o fato de estar no meio dessa intriga já é suficiente para denegrir sua imagem. Por toda sua história de vida e em função de todo o trabalho político que desempenhou no país, desde a liderança sindical até a presidência da República, espera-se que Lula concentre-se em um trabalho de articulação política mais ampla e mais transparente, buscando expandir a influência do país no mundo globalizado e com isso trazer importantes retornos políticos e econômicos para o país.
 

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