Ela a encontra saindo da galeria:
- Oi, querida, por aqui? .
- Vim comprar umas coisinhas.
- Você está linda nesse vestido .
- E você, com esses cabelos lindos! Continua firme com o bonitão?
- Por enquanto. Sempre metido naquele terno, gravata horrorosa, cafona. O teu, sim, parece um artista.
- Artista? Nunca se livra do blusão marrom. Um horror. Parece um caipira. Depois a gente se fala. Estou com pressa. Tchau.
- Tchau.
Do outro lado da rua:
- Ei, cara, como vai? Sempre elegante, engravatado . . .
- E você, nesse blusão de caubói ... Sai casamento com aquele pedaço de garota ou não?
- Casamento? Estás brincando. Sempre metida naquele vestido. Uma droga. E aquela deusa, ainda firme com ela?
- Firme? Só pensa em dar piruetas naqueles cabelos. O fim da picada.
- É isto, meu. Então adeus.
- Até mais.
Tomam caminhos diferentes.
Ele ajeita a gravata e a encontra na entrada do shopping.
- Demorei?
- Um pouquinho, amor. Já estava com saudade. Vamos?
Alisa os cabelos, saem abraçados, perdem-se entre os transeuntes.
O outro abotoa o blusão e a vê de longe.
- Que bom, querido. Já estava nervosa.
Alisa-lhe o blusão e saem aos beijos.
O engravatado beija-a mais uma vez:
- Te amo.
- E eu te adoro.
O de blusão beija-a mais uma vez:
- Te adoro.
- Te adoro mais.
O engravatado pega um táxi, sempre aos beijos, e se vão.
O de blusão pega um táxi, sempre aos beijos, e se vão.
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