Estamos no início do período da safra da cana-de-açúcar, quando a produção de açúcar e álcool se intensifica e, consequentemente, aumenta a frequência de queimadas da palha da cana antes da colheita, prática comum no Estado. Essa época, que se estende de abril até novembro, é um período seco e com poucas chuvas, clima que favorece a ocorrência de incêndios. Aliado a isso, atos imprudentes como jogar bitucas de cigarro acesas ou atear fogo em lixo podem ocasionar incêndios acidentais de grandes proporções.
Condenadas há mais de século, queimadas provacam prejuízos. Além dos efeitos nocivos para o meio ambiente, como diminuição da produtividade da terra; e à saúde da população, por afetar a qualidade do ar, os focos de incêndio colocam em risco a manutenção do fornecimento de energia elétrica para cidades inteiras. E nem é necessário que o fogo atinja as redes. Basta o calor, que provoca superaquecimento e rompimento dos cabos.
O ambiente aquecido, intensificado pelo acúmulo de fuligem das queimadas, pode fazer com que o ar aumente sua propriedade condutora de eletricidade, tornando-se mais ionizado, o que aumenta o risco de curtos-circuitos na rede elétrica. Além disso, durante uma queimada próxima à rede, as chamas podem atingir a base das torres de transmissão que, em alguns casos, são de madeira, ocasionando a queda dessas estruturas.
Como forma de prevenir tais situações, conforme os Decretos Federais 24.643/34, 35.851/54, 41.019/57 e 84.398/80, uma das medidas que devem ser respeitadas pelos produtores no cultivo é o respeito às faixas de servidão, que são os corredores de 30 ou 40 metros de largura localizados embaixo das linhas de transmissão, e nos quais não é permitido o plantio. Também são proibidas edificações, instalação de placas e painéis, bem como construção de currais, depósitos, açudes e piscinas, pois, além do risco, dificultam as manutenções, principalmente as de caráter emergencial. Já o Decreto Estadual 45.869/2001 regulamenta a queima controlada como fator de produção e manejo em atividades agrícolas, proibindo queimadas próximas a instalações elétricas e de telecomunicações.
Outra precaução importante é em relação à utilização de maquinário agrícola nas proximidades das linhas de transmissão. Uma eventual colisão desses equipamentos contra as estruturas ou cabos pode provocar o rompimento da rede energizada, oferecendo riscos de choque elétrico e de ocorrência de incêndios de maior porte.
Com o intuito de orientar a população em relação a essa prática, a CPFL Energia conduz um programa anual que promove palestras destinadas aos profissionais que atuam nessa atividade, além de disseminar entre outros públicos, por meio dos órgãos de imprensa e de campanhas de comunicação, dicas de segurança envolvendo redes elétricas. O ideal é que haja uma conscientização cada vez maior em relação a este tema para que, com o acompanhamento das empresas envolvidas e com o apoio de toda a sociedade, os impactos das queimadas sejam minimizados.
Rodrigo Bianchi
Gerente de Operações da CPFL Energia
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