Velozes e furiosos


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Há algumas semanas, o Comércio publicou uma estatística assustadora: o trânsito de Franca está matando mais do que o de São Paulo. Foi o que mostrou o Mapa da Violência 2012, um estudo realizado pelo Instituto Sangari. Se na capital o número mortes estava na proporção de 11,2 para cada 100 mil habitantes, em nossas ruas e avenidas esse número crescia para 23,2.

E não paramos por aí. Ainda segundo o estudo, em relação a cidades do mesmo porte perdemos apenas para a cidade de Jundiaí, o que nos coloca entre os principais líderes do Estado em termos de violência no trânsito.

Mas não é difícil entender essa triste liderança. Matéria mais recente, publicada no domingo, 27/05, mostrou que em um único dia o radar em operação na avenida Severino Tostes Meireles flagrou mais de 300 veículos acima do limite de velocidade ali permitido. Em menos de 30 dias foram mais de 4 mil flagrantes feitos pelos radares nas principais ruas e avenidas da cidade.

A julgar por esses dados, é possível inferir que nossos motoristas resolveram ‘brincar’ de pilotos, transformando as vias públicas em verdadeiras pistas de corrida, colocando em risco suas próprias vidas e a de outras pessoas que por um acaso qualquer venham a cruzar com um desses ‘malucos’.

A questão, porém, é que não estamos conseguindo fazer nada para reverter essa situação. Ao contrário, estamos sendo obrigados a conviver cada vez mais com esses abusos, que inclusive não são nenhuma novidade em Franca.

As campanhas educativas da Prefeitura se mostram inócuas, sejam aquelas realizadas em escolas ou até mesmo aquelas encenações de acidentes, com atores ensanguentados e carros destroçados que já foram apresentadas nas ruas da cidade. O mesmo parece acontecer com as aulas do curso de reciclagem ministradas pelo Detran, a que são submetidos os motoristas que extrapolam em suas multas e têm a carteira de habilitação apreendida.

De sua parte, a fiscalização também está deixando a desejar. Com poucos recursos materiais e humanos, não está conseguindo dar conta de tantas ruas e avenidas, nem de tantos motoristas propensos à transgressão. É bem verdade que se tentou colocar a Guarda Civil Municipal para auxiliar na fiscalização do trânsito, mas a população reclamou de uma possível ‘indústria da multa’ e a Câmara Municipal não aprovou a tentativa, alegando que essa mudança de função da Guarda seria uma ilegalidade.

Dentro desse contexto, parece que a única saída viável é insistir na fiscalização e aumentar o rigor da punição. Em função do estilo de vida atual, da potência dos automóveis de hoje e do uso indiscriminado de drogas e álcool dificilmente poderemos contar com a conscientização dos motoristas.

Sensibilizá-los pelo bolso talvez seja a melhor solução.

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