Francanos gastam mais


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O estudo ‘IPC Maps 2012’, realizado pela IPC Marketing Editora e divulgado pelo Comércio na quarta-feira, 23/05, mostra que os francanos estão dispostos a gastar mais durante esse ano, mesmo com as ameaças da crise econômica internacional e com o desempenho duvidoso de nossa principal indústria.

A projeção é que nesse ano o gasto de nossos cidadãos cresça 7,8% em relação ao ano passado, quando a projeção foi de R$ 5,1 bilhões. Um aumento que mostra a confiança dos francanos em relação ao futuro e a disposição de acelerar ainda mais o ritmo de consumo.

Isso é muito bom para a economia. O consumo é fundamental para que a cidade e o país continuem crescendo. Mas há que se tomar certos cuidados. O mundo ainda não conseguiu virar totalmente a página da crise econômica de 2008. Alguns países da Europa estão mergulhados em uma crise preocupante e podem acabar levando outros países junto com eles.

É claro que o Brasil parece preparado para enfrentar qualquer reflexo de crise que possa aparecer por aqui. Afinal, em 2008 conseguimos passar com bastante tranquilidade pelo festival de quebradeiras que abalou a economia internacional. E segundo nossas autoridades, atualmente estamos ainda mais preparados para lidar com seus resquícios.

No entanto, é bom lembrarmos que vivemos em mundo globalizado. Quando os ‘tsunamis’ da economia varrem a tranquilidade das grandes potências, é bom esperar por alguns vendavais em alguns outros pontos do planeta. Até mesmo uns ventos mais fortes que sejam suficientes para algum tipo de estrago.

Nesse sentido, um aumento do consumo pode contribuir também para aumentar o grau de endividamento das famílias brasileiras e, consequentemente, criar alguns desequilíbrios em nossa economia, enfraquecendo-a diante de alguma possibilidade de crise. Por mais paradoxal que possa parecer, o mesmo consumo que impulsiona o crescimento pode rapidamente transformar-se em seu próprio entrave. Precisamos consumir, mas precisamos fazê-lo com cautela.

A equação é realmente complexa e por isso merece um pouco mais de atenção por parte de todos. Em primeiro lugar, é fundamental que a população não se entregue às compras impulsivamente, comprometendo boa parte de sua renda familiar em mensalidades de produtos dispensáveis. Nesse mundo de crédito mais fácil e acessível, o planejamento de médio e longo prazos torna-se imprescindível para equilibrar o orçamento e ajudar a resistir aos apelos emocionais e funcionais de produtos e serviços cada vez melhores, mais interessantes e tecnologicamente mais sofisticados.

Em relação às autoridades, é preciso que elas acelerem um pouco mais a velocidade das reformas necessárias para enxugar o aparelho estatal e torná-lo mais eficiente. É preciso correr também com as reformas estruturais e melhorar a infraestrutura do país. Sem isso, poderemos ter surpresas indesejáveis.

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