Cetesb multa a associação de curtumes por conta do mau cheiro


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 A lavadeira Euripa do Carmo Melo, moradora em bairro próximo ao Distrito Industrial, coloca ao lado da cama do neto, que dorme, um balde com água e desinfetante para diminuir o odor causado pelos curtumes
A lavadeira Euripa do Carmo Melo, moradora em bairro próximo ao Distrito Industrial, coloca ao lado da cama do neto, que dorme, um balde com água e desinfetante para diminuir o odor causado pelos curtumes

A Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) irá multar a Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couros e Afins) por conta do mau cheiro causado pelos curtumes que tem gerado constantes reclamações dos moradores dos bairros vizinhos. De acordo com Francisco Setti, gerente regional do órgão responsável pela fiscalização de atividades geradoras de poluição no Estado, a notificação no valor de aproximadamente R$ 36 mil será enviada hoje à associação.

“Concluímos que houve alguma falha de operação no sistema (de tratamento de esgoto), foram solicitadas algumas medidas às empresas de curtumes, mas não tivemos um retorno até o momento. Deste modo, fizemos uma proposta para aplicação de multa, pois já haviam advertências no passado”, disse Setti confirmando que a punição será aplicada nesta quarta-feira.

Em março, moradores de bairros vizinhos ao Distrito Industrial já reclamavam do forte cheiro de gás sulfídrico gerado no processo de tratamento do couro. Foi então sugerido pela Cetesb e Ministério Público um estudo de readequação. A suspeita era de sobrecarga na lagoa secundária, que corresponde à última etapa do processo. “Foi detectada uma queda na qualidade do tratamento. Embora ainda esteja atendendo a legislação, nossa posição é de que deve ser feita uma limpeza total (no leito das lagoas) e, se possível, uma remodelação do sistema isolando os gases e neutralizando o odor”, completou Setti.

De acordo o diretor regional da Cetesb, a companhia tenta chegar a um acordo com a Amcoa para que as irregularidades sejam sanadas sem a necessidade de interditar a lagoa. Segundo ele, esta seria uma decisão extrema que poderia causar ainda mais danos ao meio ambiente. “É possível encontrar uma solução amigável para esta situação. Ninguém quer que os curtumes sejam fechados. O que queremos é que eles funcionem de maneira sustentável, sem comprometer a vida dos moradores dos bairros vizinhos que, por sua vez, devem compreender que o mau cheiro é característico deste tipo de produção”, ressaltou o gerente regional.

A reportagem do Comércio entrou em contato com a Amcoa durante a manhã e tarde de ontem por telefone e e-mail, mas até o fechamento desta edição não havia recebido retorno. Cinco curtumes associados também foram procurados, mas em todos ou os diretores não estavam ou não quiseram comentar o assunto.
 

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