Além de noticiar, o jornal faz o registro da história contemporânea de uma comunidade. Daqui a 50 anos, como será feita uma pesquisa para se saber o que acontecia na cidade nos dias de hoje? Provavelmente, haverá somente consultas virtuais dos acontecimentos atuais.
Em 2062, se ainda existir a coluna ‘Há 50 anos’, o editor apenas digitará a data de 30/05/2012 para ter acesso aos títulos dos textos que compõem a edição de hoje. O jornalista certamente vai selecionar uma notícia sobre a apresentação musical da Expoagro e outra de acidente no trânsito ou roubo audacioso.
As notícias de meio século atrás apresentavam outro enfoque. Luiz Neto, editor desta página do Comércio, selecionou três matérias do amarelado exemplar de 27/05/1962 para compor ‘Há 50 anos’ da edição do último domingo. Os títulos dão uma dimensão dos fatos: ‘Malba Tahan virá a Franca’, ‘Professores pleiteiam abatimento nos ônibus urbanos’ e ‘As duas rádios’.
Na época dessas notícias, muita gente lia as aventuras matemáticas de Malba Tahan. Hoje, poucos sabem da existência desse escritor brasileiro. Na outra ponta, a maioria desconhece até o que seja pseudônimo. Poucas pessoas tinham televisão naquele tempo. A cidade inteira ouvia a B5 ou a Difusora. Somente no início da década de 1970 é que surgiu a Imperador, terceira e última rádio AM (Amplitude Modulada) a ser instalada em Franca. Depois, só surgiram emissoras de FM (Frequência Modulada).
Há 50 anos, a cidade tinha apenas 3 linhas de ônibus. A primeira delas saia da Vila Nova para ir à Capelinha. O segundo percurso era da Boa Vista até o fim da avenida Brasil, que terminava na rotatória da caixa d’água. A terceira linha ligava a Santa Cruz à Vila Nova, com ponto final ao lado do Cede. Além do Cede, somente o IETC oferecia curso ginasial e colegial. As demais escolas eram destinadas ao primário, como Barão da Franca, Caetano Petráglia, Coronel Francisco Martins e uma ou outra mais.
Professores quase não possuíam carro. Usavam o transporte coletivo para ir lecionar. Por isso, pleiteavam a execução da lei que lhes concedia o direito de pagar a metade do preço da passagem. Dadas as curtas distâncias entre escola e casa, alguns mestres iam e vinham a pé. Apesar da subida, o professor Hélio Palermo andava de sua moradia, na Rua General Telles, perto da esquina com a Rua Homero Alves, até a escola Barão da Franca. Nesse tempo, Ana Maria Junqueira era sua aluna. Doze anos depois, a já professora Ana Maria Junqueira morreria em acidente de carro, quando voltava de curso de pós-graduação em São Carlos. Em 1974, ela ministrava aulas de Matemática no 6º Ginásio, que funcionava no atual imóvel da Ciretran. Após a construção do prédio da rua Liberdade, seu nome foi perpetuado na escola.
Para comemorar o Dia da Patrona, a escola Ana Maria realizou várias atividades culturais no último dia 23. Um grupo de alunos apresentou sarau de poesias. A aluna Bianca cantou a música vencedora do último festival estudantil de Franca. Houve ainda outras atrações.
Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br
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