Segurança x privacidade


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É inegável que o Poder Público vem melhorando consideravelmente a segurança principalmente nas capitais e nos grandes centros urbanos. As diversas medidas adotadas têm permitido um declínio da criminalidade nas grandes cidades, fato que pode ser constatado pela baixa nos índices apresentados pelo setor policial.

Porém, com a repressão maior nos grandes centros urbanos, o delinquente, desenganadamente, vem migrando para as médias e pequenas cidades interioranas. Isso também é, infelizmente, um fato inquestionável. Cidades tidas como pacatas, tranquilas, com índices de criminalidade até então baixíssimos, atualmente têm de conviver com o crime violento - como o sequestro, o roubo e o latrocínio, em níveis alarmantes.

Com essa nova realidade, também o morador da média e pequena cidade passou a se preocupar com a violência. Assim, muitos projetam morar em condomínios fechados, nos antigos e tradicionais prédios de apartamentos conhecidos como condomínios verticais, ou nos atuais e modernos loteamentos fechados, chamados de condomínios horizontais.

Tanto é fato essa nova realidade que as moradias condominiais tiveram valorização acentuada nos últimos anos, muito acima da média apresentada por outras modalidades de imóveis.

Não se pode negar que morar em condomínio traz para a família uma segurança maior. São eles equipados com portaria 24 horas, vigilantes noturnos e câmeras por todos os lados. Mas é fundamental que a pessoa entenda que morar em condomínio, especialmente os verticais, implica, inegavelmente, em perda de privacidade que acaba obrigando mudanças de hábitos.

Som alto depois das 22 horas, nem pensar. Mesmo antes desse horário não é recomendável. Andar com sapatos de salto alto no assoalho de madeira, à noite, é prática proibida. Se a família quer ter um bicho de estimação, seja cachorro ou gato, deve mantê-lo com bons hábitos de higiene e sua circulação, pelas áreas comuns do prédio, deve ser feita de maneira que não traga qualquer risco para a segurança dos demais condôminos.

Viver em um condomínio, portanto, exige do morador, de forma mais intensa que o usual, exercício permanente da solidariedade e do respeito ao direito e ao espaço do outro. É inegável que os moradores de um prédio acabam se transformando em uma grande família, entrelaçando não só as alegrias, mas também problemas, tristezas, perdas e frustrações. É estar permanentemente solícito e simpático, mesmo quando o humor não está dos melhores.

Assim, se você, leitor, pensa em residir em condomínio, verifique antes se, com sua família, está disposto a cumprir fidedignamente o regimento interno do prédio, trocando um pouco da privacidade por segurança. Caso contrário, não mude. Ou viverá incomodado ou incomodará seu vizinho. Pense nisso antes de tomar a decisão.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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