O Cartãozinho Verde estreou no dia 23 de abril provando que a galera mirim também tem vez para palpitar, apitar e criticar o futebol.
O elenco do programa é formado por João Braga, de 9 anos, Matheus Ribeiro, também de 9, Pedro Crema, 8, e Eric Lanfredi, 11. Seus interesses são quase os mesmos: videogame, álbum de figurinhas, a admiração pelo Barcelona, além do sonho de ser jogador de futebol. O que os difere é o time do coração. João é corintiano; Pedro, são-paulino; Matheus, santista; e Eric, palmeirense.
É a mistura dessa divergência com as semelhanças, comuns no universo infantil dos meninos, que dá combustível para a nova atração infantil da TV Cultura. O Cartãozinho Verde é o único programa da TV brasileira com crianças falando sobre futebol. A exibição é diária, de segunda a sexta-feira, às 19h15.
A atriz e arte-educadora Cristina Mutarelli faz o meio de campo da garotada. É dela a missão de mediar a discussão dos garotos e, se necessário, apaziguar os ânimos.
A proposta é, claro, falar de tudo que gira em torno do futebol, dos campeonatos nacionais, da Copa do Mundo no Brasil e das Olimpíadas. Mas o grande lance é a espontaneidade que os meninos trazem ao tema.
O cenário do programa contribui para esse clima despretensioso, livre, despojado, exatamente como se eles estivessem em casa. Skates, bicicletas, bolas de futebol, mochilas escolares e camisas de times enfeitam o espaço. Há até um campo de futebol de botão montado sobre uma banqueta.
A EXPERIÊNCIA
Para saber o que a garotada está achando dessa nova opção de informação e entretenimento, o Comércio convidou cinco crianças apaixonadas por futebol para assistirem juntas a uma edição do Cartãozinho Verde. Weuli Buranelli (10 anos), Guilherme Mota, (8 anos), Miguel Careta (8 anos), Claudinei da Silva Junior (8 anos) e Miguel Oliveira (9 anos) são alunos do Veredas, ONG mantida pelo GCN. Eles visitaram a redação do GCN no último dia 7 e mostraram que entendem mesmo de bola.
No bate-papo antes da exibição do programa, o que não faltou foi discussão sobre times e desempenho de jogadores. Também, pudera! Weuli e Miguel Oliveira são corinthianos, Miguel Careta e Claudinei torcem pelo São Paulo e Guilherme é santista. E sim, cada um tem um ídolo no futebol, não necessariamente jogador do time do coração. “O melhor é o Messi (Barcelona)”, diz Claudinei. “Como eu jogo no gol, meu goleiro predileto é o Buffon (Juventus)”, dispara Miguel Oliveira. “Goleiro para mim é o Rogério Ceni”, diz o tricolor Miguel Careta. Para Guilherme, o ídolo está no Santos, claro. Que santista não venera Neymar? Weuli também é fiel ao time e esco-lheu Emerson Sheik, do Corinthians, como preferido.
Após a exibição do programa, a opinião dos meninos é unânime. “Irado demais”, diz Miguel Careta. Todos eles perceberam que os apresentadores do Cartãozinho Verde sabem analisar o futebol deixando de lado as preferências de torcida e os favoritos que estão no campo. “Eles falam muito bem”, afirma Guilherme.
E se eles estivessem no lugar dos apresentadores do Cartãozinho Verde? Já que as Olimpíadas em Londres começam em julho, perguntamos qual seria a escalação ideal para que o Brasil conquistasse a tão sonhada medalha de ouro no futebol (vale lembrar: apesar de sermos hexacampeões da Copa do Mundo, o futebol brasileiro nunca levou uma medalha de ouro nas Olimpíadas). Eis os nomes: Neymar, Ganso, Júlio Cesar, Rogério Ceni, Luis Fabiano, Robinho, Borges, Kaká, Dagoberto. O técnico? “Tinha que ser o Tite. Quando o desempenho do time está ruim, não sei o que ele apronta no vestiário (no intervalo do jogo) que o time volta com tudo”, explica Miguel Oliveira. E se pudéssemos escalar algum jogador de fora do Brasil? “Messi!”; “Ah, o Messi”, “Messi, né?”, “Sem dúvidas, Messi”, “Messi, claro!”.
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