Eleições


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Como a ‘ágora’ grega já não era mais possível em um mundo que se tornava mais liberal e populoso, foi preciso inventar a democracia representativa. Na Inglaterra do século XVIII, os partidos políticos começaram a despontar como símbolos da participação popular na soberania do Estado. A partir dessa época, já era possível entendê-los como a divisão de um povo em vários segmentos políticos, cada um deles com um pensamento próprio em relação à forma como deveria ser governada a nação.

Nesse sentido, podemos afirmar que os partidos deveriam servir para exprimir e para formar a opinião pública. Deveriam se transformar em foco permanente de difusão do pensamento político e estimular os indivíduos a defenderem suas opiniões. Em seu interior, cada partido deveria desenvolver um programa de ação, com objetivos e caminhos bem definidos, que traduzissem um consenso interno e apresentassem ao restante da população uma coerência em termos de proposições.

No Brasil, porém, esse entendimento dá-se apenas em tese. Na prática, nossos partidos não têm apresentado programas tão consistentes, muito menos os pontos de vista dos segmentos sociais que deveriam representar. Na maioria das vezes, se repetem em propostas vazias e parecidas, muitas delas impraticáveis ou demagógicas, que pouco trazem de importante para as mudanças sociais, políticas e econômicas que se fazem necessárias. Controlados por estruturas oligárquicas, minorias militantes, grupos econômicos ou líderes políticos já estabelecidos acabam geralmente distorcendo a sua real função e representando apenas os interesses particulares de seus controladores.

Em Franca, especificamente, o noticiário político desses últimos meses tem exemplificado bem essa distorção, sobretudo no que diz respeito à busca por coligações e à escolha do vice-prefeito. Para a maioria dos partidos, parece que não importam muito as questões políticas e ideológicas que deveriam entremear essas coligações. O mais importante parece ser a quantidade de minutos que o candidato somaria em seu programa durante o horário eleitoral gratuito, a quantidade de cargos que os possíveis parceiros consigam barganhar e a soma de dinheiro e ‘patrocinadores’ que possam ser introduzidos na campanha.

No caso das eleições municipais, esse personalismo dos partidos fica ainda mais evidente, porque uma coligação que possa acontecer em uma cidade, dificilmente se repete em todo o Estado, e até mesmo em todo o país, como deveria acontecer se por trás dessas uniões houvesse algum resquício de conteúdo ideológico.

É triste constatar, mas nosso sistema político necessita de uma reforma política urgente. Do jeito que as coisas estão, os partidos parecem ferramentas a serviço de grupos privados, todos buscando perpetuar-se no poder. Indiferenciados, acabam por referendar a frase do historiador Oliveira Viana, proferida há mais de cem anos: ‘nada mais liberal que um conservador na oposição, nada mais conservador que um liberal no governo’.

E isso é péssimo para a democracia.

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