'A música caipira é a base da cultura brasileira', diz Teixeira


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Renato Teixeira emocionou o público no Poliesportivo durante seu show na noite de sábado
Renato Teixeira emocionou o público no Poliesportivo durante seu show na noite de sábado

Renato Teixeira, compositor de hinos como Romaria,Tocando em Frente e Casinha Branca se apresentou no último sábado, 19, no palco da 6ª Virada Cultural Paulista, no Poliesportivo. Em entrevista para o Comércio, o cantor falou sobre seus projetos e teceu ácidas críticas em relação ao espaço dado pelo governo de São Paulo à cultura regional.

Seus dois últimos álbuns, um com Sérgio Reis (Amizade Sincera, 2010) e o outro em parceria com seu filho, Chico Teixeira (Mais que um viajante, 2011), tiveram um tom bem intimista. Para o seus futuros projetos, o que o público pode esperar?
Renato Teixeira -
O Sérgio e eu faremos outra parceria. Vou fazer um álbum com inéditas além de um disco com o Almir Sater, mas ainda não há data para para isso. Tanto eu quanto o Almir e de certa forma o Sérgio, a gente vem fazendo uma releitura da música da cultura caipira representada por Tonico & Tinoco, por Tião Carreiro e toda aquela geração que representou o centro-oeste, principalmente o interior de São Paulo, em pelo menos dois terços do século passado.

Em um evento como a Virada Cultural a presença de jovens costuma ser maciça. Como você sente a receptividade desse público à sua música?
Renato -
As pessoas prestigiam muito, por exemplo, o axé baiano, achando que a música caipira é uma música de segunda categoria, mas não é. É uma música que vem de Guimarães Rosa, Tarsila do Amaral, Monteiro Lobato, que vem de uma região responsável por esse Brasil moderno e é a base da cultura brasileira. Fico muito feliz de pelo menos aqui (interior de São Paulo) participar da Virada Cultural. Parece que a gente não é muito bem visto pela Virada em São Paulo. Por questões políticas, eles preferem prestigiar os músicos nordestinos que fazem coisas mais populares, que atende a essa classe C. Mas quando abrem esse espaço para a gente, mesmo que seja na madrugada, com o dia nascendo, eu quero participar e mostrar esse nosso lado para que o interior de São Paulo não fique musicalmente entregue a essas banalidades que têm por ai e não esqueça que a gente tem música sim, tem história para contar.

Como você enxerga esse “boom” recente do estilo sertanejo universitário?
Renato -
Olha, eu acho que não existe mais nenhum um tipo de nomenclatura. Quando eu era criança, os nomes das músicas vinham assim: O relógio; embaixo: ‘bolero’ (estilo da música). Mas depois veio um negócio chamado Jovem Guarda, depois Poder Jovem... Hoje eu acho que o que existe é a humanidade. Tudo o que existe é para o jovem, é para o homem maduro, é para o homem velho e é para a criança. Tanto que o computador serve desde à criança de quatro anos até a terceira idade.

Você acha que hoje tudo é genérico?
Renato -
Eu acho que a gente precisa de parar de pensar em dar nome aos bois, porque esse mundo acabou. Não existe mais rock n’ roll. Quem é rock n’ roll? É Rita Lee ou é Sepultura? É James Taylor? É Raul Seixas? Esses nomes vão se acabando e a gente ainda fica se preocupando em dar nome aos bois. Hoje o mundo se comunica de uma forma muito mais intensa e unida e essas facções se acabaram. Quem quer realmente usufruir de alguma coisa vai ter que se formar e saber que um dia vai ter que parar de dançar um pouco de axé e ouvir um pouquinho as coisas que realmente ajudam a pensar. É lógico que dançar e bater tambor é fundamental, é o princípio de tudo, mas, pensar, às vezes, faz parte.

Depois de Elis Regina, Gal Costa, Almir Sater, há alguma voz que você gostaria de ouvir interpretando uma composição sua?
Renato -
Milton Nascimento nunca cantou uma música minha e eu gostaria disso. Mas eu nunca pensei por esse lado. Disso eu não posso me queixar porque (Maria) Bethânia já me gravou, Roberto Carlos, enfim... mas fica aquela ‘vontadezinha’ de ouvir uma coisa sua pelo cantor que Elis (Regina) falava que “se Deus cantasse teria a voz dele”, que é Milton Nascimento.

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