Carta aberta ao Hélio


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Acompanho, desde muito, sua história esportiva. Primeiro, torci por você. Depois, testemunhei o vigor físico e o rigor moral em que se empenhou para construí-la. De ídolo, não por acaso, foi a mito. E sim, cobrei-lhe que parasse há dois anos, por respeitá-lo

Tinha medo de que se desgastasse. Não gostei do tempo extra que se impôs. Segui, atentamente, tudo o que ocorreu depois da decisão do NBB do ano passado, quando levou sua equipe à final. O livre pensar da população – sim, mesmo quem não gosta de esporte e nunca foi ao Poliesportivo – lotou a seção de cartas do portal GCN.

Tomava corpo o desgaste. Começou quando você disse que a equipe próxima seria melhor do que a que se desmanchou, acreditando em sua diretoria. Isso não aconteceu. As temporadas foram decepcionantes.

Os torcedores, que você ensinou a gostar e a entender de basquete, soltaram definitivamente a voz. Somos todos, você sabe, mal acostumados, não com os tantos títulos, mas com times aguerridos, dispostos, honrados em vestirem nossa camisa. Quantas vezes o aplaudimos e a seus jogadores também nas derrotas?

O que houve foi natural. A mesma unanimidade que aplaudiu sua carreira entendeu de puni-lo com palavras duras e cobranças pesadas. Em décadas, nunca tinha ouvido vaias contra você e jogadores nas partidas locais de nossos times. Vieram e foram veementes.

Corajoso e determinado como sempre foi, você continuou se expondo. Sabe, entretanto, que não é possível tirar leite de pedras sempre. Consolidou-se, na cabeça das pessoas, a ideia de você deveria parar. A maioria concordava também porque achava que lhe devia respeito. Outros, mais ríspidos, não acariciaram.

Feriram-no. Sei que há sangue, e quente, em suas veias. Suportou até onde deu, mas, rendeu-se. Baseio-me no conhecimento que tenho de sua sabedoria em separar adequadamente as coisas.

Peço-lhe que perdoe esta cidade onde, primeiro com seu pai, depois com Pedroca e seus irmãos, construiu e deu vida ao conceito do basquetebol de alta performance que se tornou marca conhecida e referencial francana.

Sua família quer você – finalmente – perto, deixando para trás a pressão por vitórias ou resultados, viagens, cobranças burras ou inteligentes, saúde plena. Há um vazio no coração dos que o valorizam, um sentimento de perda no ar.

Assuma, então, seu sonho de criar e instalar a Universidade do Basquete em Franca. Do alto de sua competência, saia por ai convencendo governos, empresas e pessoas sobre o valor do esporte como formador de crianças e jovens que queiram se espelhar em você e não têm como. E que o faça, especialmente, na condição de diretor executivo, ou de relações corporativas, ou institucionais, ou seja lá o que for, do Franca Basquete.

A nova diretoria do clube tem a obrigação de buscá-lo, reconhecendo-o imediatamente como o maior mito da história centenária do basquetebol francano, remunerando-o condizentemente e lhe dando toda a liberdade para institucionalizar seus sonhos e projetos. E que este reconhecimento seja só o primeiro dos muitos que esta cidade lhe deve.

EMBAIXADORES DA APAE
A força do chamamento da APAE ao voluntariado é poderosíssima. Ver, em um mesmo ambiente Luiza Helena Trajano, Tony e Toninho Salloum, Maurício Miarelli, Urias Cintra, Alfredo Machado Neto, Oto Barbosa, Armando Rizatti, Mário Spaniol, Mário Roberto Ewbank Seixas, representantes de boa parte do PIB francano, discutindo como melhorar a receita da instituição como se em suas empresas pensassem, é de fazer tremer. Pois é. Urias, um industrial tímido e competente habitualmente escondido em sua Democrata, tinha um brilho contagiante nos olhos na ocasião de reunião deste time na quinta-feira, ocasião em que esses pesos pesados da economia se encontraram com foco no 3º Leilão, marcado para o sábado, 26: ‘a APAE não é de ninguém, mas aqui, pertence a Franca’. Com esse “pertence” quis dizer que de causas relevantes, tem-se que cuidar com atenção redobrada. Tem razão.

CONVINCENTE
Não é outro desafio senão solidariedade com alta dose de responsabilidade social pela causa apaeana o que reune gente tão representativa quanto ocupada como diretores do Magazine Luiza, da Indústria Tony Salloum e incorporadora Franca Invest, da Cocapec, da Democrata, da Uni-Facef, da Unimed, da Ambev, da Carmen Steffens, dos postos Mário Roberto. Adir Leonel, o motivador dos leilões da entidade em incontáveis cidades diz que ‘Olhar nos olhos das crianças atendidas e sabê-las felizes e aconchegadas, é o que basta.” Dono de empreendimentos agropecuaristas referenciais, Adir poderia estar descansando em redes e gozando o que sua vida de trabalho lhe proporcionou, mas não... Anda por ai ajudando a convencer gente grande a sair de suas zonas de conforto e participar dessa causa relevante.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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