Conflito na Vila Tião


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A polícia é um dos instrumentos utilizados pelo Estado para manter a ordem e o controle social. Foi assim em praticamente todas as organizações políticas que conhecemos, desde as Cidades-Estado gregas até os Estados mais complexos da atualidade. Derivada do termo grego ‘polis’, utilizado para descrever a organização e a constituição das cidades, a palavra ‘polícia’ tem a mesma origem etimológica da palavra ‘política’, que significa o exercício da autoridade dentro dessas mesmas cidades.

Em função disso, pode-se dizer que sua atuação transcende o sentido da ação policial conforme a entendemos hoje em dia, ou seja, de apenas fiscalizar, prender ou punir. Ela é também política, pois nos obriga a cumprir as normas que decidimos coletivamente e que nos une enquanto cidadãos de uma mesma comunidade. Por trás de suas ações aparentemente corriqueiras, está em jogo a manutenção de nossa ordem institucional.

Nesse sentido, é lamentável o que ocorreu no primeiro final de semana de maio, na Vila Tião, conforme reportagem publicada por este Comércio na terça-feira, 08/05. O confronto entre moradores e policiais foi bastante preocupante. Faz crescer a desconfiança de que alguma coisa está errada em nossa sociedade e traz, também, certo temor pelo futuro, caso esses episódios comecem a se repetir.

A despeito das diferentes versões apresentadas pelas partes envolvidas, é de se esperar que tanto policiais como moradores tenham um pouco mais de bom senso a partir de agora. Se houve excessos por parte de alguns policiais, como alegam os moradores do bairro, isso não deveria ter sido motivo para uma reação tão drástica como o confronto.

Mesmo considerando os históricos problemas relacionados aos abusos de poder por parte de nossas autoridades constituídas, existem hoje outros caminhos para se protestar e reclamar por justiça. Poderiam ter denunciado o fato ou recorrido ao Ministério Público. Esses seriam com certeza caminhos mais apropriados do que a violência generalizada.

Aos policiais, por outro lado, também caberia um pouco mais de cautela em suas ações de abordagem. É fato que a violência, os furtos e o tráfico de drogas têm crescido e se espalhado por toda a cidade, o que tem gerado mais tensão no trabalho desenvolvido por esses profissionais, os quais, diga-se de passagem, não têm nem salário nem condições de trabalho compatíveis com os riscos que correm diariamente.

No entanto, é preciso que todos pensem em termos de sociedade. Se a polícia não pode perder o moral com os marginais, como disse um major da corporação, a população também não pode perder a confiança e o respeito que tem pela polícia. Ambas as perdas serão ruins para todos.

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