A saída de Hélio Rubens Garcia do cargo de técnico do Franca Basquete pegou a todos de surpresa ontem. Assim que a notícia veio a público, Garcia passou a receber telefonemas em sua casa. À tarde, ele atendeu o Comércio da Franca para uma entrevista:
Comércio: É oficial o seu desligamento do clube? A partir de quando?
Hélio Rubens: Eu quero facilitar o trabalho da diretoria que vai assumir. Mas eu me desligo a partir do dia 1º de julho oficialmente.
Comércio: Qual motivo?
Hélio Rubens: Acho que uma missão foi cumprida, que o processo de renovação deve ser natural. É uma oportunidade para outros que possam dar sequência a essa tradição fantástica, essa história que precisa ser preservada.
Comércio: Nesse último ano você foi contestado até por diretores e teria ficado muito chateado. (Sua saída) Tem alguma relação com isso?
Hélio Rubens: Não, nenhuma. Aprendi, ao longo da minha vida, a absorver uma crítica que eu não concordo e transformá-la em crítica construtiva. Então, todas as vezes que recebo uma crítica que não concordo - porque eu tenho base para discordar - peso muito bem isso.
Comércio: Você esteve em São Paulo fazendo exames. Algum problema de saúde o levou a deixar o clube?
Hélio Rubens: Não, graças a Deus. Fui fazer um check-up completo. Estou ‘inteiraço’. Prontinho para continuar trabalhando (risos).
Comércio: Quais seus planos?
Hélio Rubens: Eu me dei o direito de agora ficar absolutamente de férias. Estou aguardando para ver o que vai acontecer.
Comércio: Propostas já surgiram?
Hélio Rubens: Contatos já surgiram. Até de equipes que não são do basquetebol. Do futebol especificamente.
Comércio: Quais seriam?
Hélio Rubens: Eu me reservo no direito de não dizer para não comprometer.
Comércio: Quem você apoia para presidente do Franca Basquete?
Hélio Rubens: Eu apoio qualquer candidato. Uma pessoa que coloca seu nome para ser presidente do Franca Basquete, que é uma entidade sem fins lucrativos e trabalha em benefício da comunidade, merece apoio. Nenhum diretor é remunerado, coisa que eu acho errado. Acho que tem que se transformar num clube-empresa. Como é que a pessoa larga seu trabalho, sua casa, seu lazer para trabalhar pelo esporte? Todas as pessoas que fizeram isso até hoje merecem reconhecimento.
Comércio: O senhor não poderia participar desse processo de profissionalização do clube? Não poderia ser o primeiro dirigente remunerado do Franca Basquete?
Hélio Rubens: Poderia, claro que poderia. Mas não estou pensando nisso. Não estou pensando em nada, por enquanto (risos).
Comércio: O senhor disse que nem sua família sabia de sua decisão. Qual a reação deles?
Hélio Rubens: A Maria Helena me perguntou: “Você tem certeza, é isso mesmo?” O Helinho disse “Papai você é quem sabe, também acho difícil”.
Comércio: Dos 12 atleta do elenco, quem o senhor indicaria para seguir?
Hélio Rubens: Eu acho que devem ficar quatro. Hoje, o Franca Basquete tem que trazer pelo menos cinco jogadores de nível para manter a competitividade.
Comércio: Quem será seu sucessor?
Hélio Rubens: Todos têm competência para fazer um bom trabalho. Se você falar em João Marcelo, até o Cláudio Mortari - que eu acho que está superado -, Chuí, Carlão, meus assistentes todos. Acho que o Pablo e Guerrinha também são bons nomes para assumir o clube.
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