‘Vivo por um sonho: voltar pra casa’, diz internado há 7 anos


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NA UTI - Ricardo Aidar está internado na Santa Casa desde março de 2005 e, nesse período, só saiu do hospital duas vezes
NA UTI - Ricardo Aidar está internado na Santa Casa desde março de 2005 e, nesse período, só saiu do hospital duas vezes

Ela roubou quase tudo dele. Suas brincadeiras de infância na rua, o primeiro beijo, as baladas da adolescência, a primeira namorada, o vestibular para ingressar numa faculdade, a festa de formatura, os jogos de futebol com os amigos, as viagens, a convivência com a família, os movimentos do seu corpo, sua fala e sua liberdade. Por causa dela, Ricardo Alberto Aidar, de 34 anos, vive há mais de 7 anos deitado no leito 17 do CTI (Centro de Tratamento Intensivo) da Santa Casa de Franca.

Mesmo assim, ele não perdeu a fé nem a esperança de poder voltar pra casa que dividia com a sua mãe, Euclesina Aparecida dos Santos, de 52 anos, no Bairro Cidade Nova, e de os médicos descobrirem uma cura para a sua doença.

O paciente sofre de distrofia muscular de Duchenne, uma das principais doenças degenerativas, que aos poucos atrofia os músculos do corpo, impedindo que eles funcionem. Um estudo da PUC de Campinas aponta que cerca de 90% dos pacientes não chegam a completar 20 anos e são raríssimos os casos em que passam dos 25.

Ricardo vive no hospital desde que seu quadro de saúde se agravou. Não fala nem respira sozinho. Os únicos movimentos que ainda lhe restam são os dos dedos polegar e indicador da mão direita e os da face. O restante de seu corpo está paralisado.

Para se comunicar, ele usa um notebook doado pelos amigos. Com os dois dedos funcionais, movimenta o mouse em um teclado digital que aparece na tela do computador para clicar nas letras e escrever. Como o movimento exige muito esforço, Ricardo usa o notebook um dia sim outro não. Além de se comunicar, o equipamento também garante sua principal diversão: navegar pela internet. “Gosto de ler notícias e livros. Converso com alguns poucos amigos e entro no Facebook.”

Ele está internado desde março de 2005, quando a doença atingiu os músculos responsáveis pela respiração, mas a doença apresentou seus primeiros sintomas quando ele tinha cinco anos.

Nos sete anos de internação, Ricardo só saiu do hospital para ver o dia duas vezes. A primeira foi em outubro do ano passado, quando os enfermeiros, com a ajuda de equipamentos particulares, o levaram para tomar sorvete. Depois, em dezembro, quando visitou a casinha do Papai Noel. “É difícil sair do hospital com o Ricardo porque não temos os aparelhos necessários para o transporte. Dependemos do empréstimo de outros pacientes e os riscos também aumentam por isso temos uma cautela maior”, explicou a fisioterapeuta Tânia Marquezin.

Mesmo com todas as limitações impostas pela doença, Ricardo não desanima.

“Tenho a vida, tenho minha mãe, meu irmão, meus amigos. Sou um homem feliz.”

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