A essência da vida de Deus e das pessoas é o amor. O amor gera comunidade entre as pessoas
Neste domingo os trechos da Palavra de Deus nos falam do amor. É interessante lembrar que, no Dia das Mães, Deus revela que o verdadeiro amor é constante doação. Vejamos as lições de vida nascidas da Palavra de Deus.
PRIMEIRA LEITURA
O texto ensina sobre o amor que não discrimina. Para um judeu era rigorosamente proibido entrar na casa de um pagão. A passagem de hoje (At 10), começa apresentando-nos Cornélio, que vai ao encontro de Pedro e se atira a seus pés, em sinal de grande respeito. Era desse modo que antigamente se fazia quando alguém se dava conta de encontrar-se diante de um homem de Deus.
O apóstolo não aceita esse gesto, embora se tratasse de uma simples saudação, de uma manifestação normal de respeito. Não quer que esse cerimonial que os escribas prezam tanto, seja introduzido também na comunidade cristã. O restante do trecho versa totalmente sobre o problema da entrada dos pagãos na Igreja. Para nós este fato não apresenta qualquer problema, mas para os primeiros cristãos as coisas não eram tão simples assim. Eles pensavam que Deus fazia distinção entre os homens, que preferia mais os descendentes de Abraão do que os demais homens.
Foi o Espírito Santo que subverteu esses esquemas ditados por supostos privilégios raciais. Ele desceu sobre os pagãos antes mesmo que eles recebessem o batismo. “Todo aquele que pratica a justiça, seja ele de qualquer raça, é agradável a ele”.
Também em nossos dias o perigo de fazer discriminações continua existindo nas nossas comunidades. As pessoas nem sempre são tratadas da mesma maneira, na sua totalidade, independentemente da raça ou tribo à qual pertençam, da preparação intelectual que tenham, do dinheiro, dos diplomas acadêmicos que possuam. Nem sempre são aceitos os que manifestam alguma ideia diferente das nossas. O amor de Deus, portanto, não discrimina. E nós, que somos Igreja? Também não podemos discriminar ninguém. É uma tarefa bastante difícil, mas, é a verdade que Deus nos chama a viver!
SEGUNDA LEITURA
A primeira Carta de João se divide em três partes: (1) Caminhar na luz- 1,5-2,28; (2) Viver como filhos de Deus- 2,29-4,6; (3) O amor e a fé 4, 7-5, 21. O texto escolhido para a liturgia deste domingo é o início da terceira parte. Está bem sintonizado com o evangelho. De fato, em apenas quatro versículos, o autor emprega dez vezes a palavra ágape (amor solidário). Isso nos leva à seguinte afirmação: é da prática do amor que dependem o cristianismo, a religião e o mundo novo. Amar ou não amar, eis a questão. Sem o amor nada existe. Nem o próprio Deus, que é amor.
Para provar que o amor é compromisso solidário, João apresenta a prova da encarnação: Deus envia seu filho único ao mundo, para que, por meio dele, tenhamos vida. A encarnação-redenção prova, sem sombra de dúvida, que amar é doar-se para que todos possuam a vida. O versículo 10 prova que o amor não é teoria. O autor está para definir o que é amor: “Nisto consiste o amor”. Nós esperaríamos bela conceituação abstrata. Mas ele não diz o que é o amor, e sim o que ele fez; ou melhor: diz o que é o amor através daquilo que realizou em favor das pessoas.
EVANGELHO
O trecho do Evangelho de João (João 15) pertence aos acontecimentos que marcam a despedida de Jesus durante a Ceia. É sob a ótica do testamento que se poderá entender melhor. O testamento de Jesus a seus discípulos abraça temas diversos. O texto de hoje dá sequência ao de domingo passado. Aí a ênfase era colocada no permanecer em Jesus, como os ramos estão unidos à videira; aqui, a ênfase recai sobre o resultado do permanecer, que é o amor.
No discurso de despedida de Jesus é revelado à comunidade o segredo do sucesso na missão. Para dar frutos duradouros a comunidade precisa ir, ou seja, sair para missão. Jesus cumpriu os mandamentos do Pai. Eles sintetizam o projeto de Deus e a atividade do Filho em favor da vida e liberdade. Deus está conosco quando nosso amor se traduz em obras que refletem o projeto de Deus.
Assim entendido e praticado, o amor produz a alegria de Jesus, que se torna alegria plena da comunidade. O amor ativo e solidário é capaz de provocar essa alegria, nascida das conquistas de grupos que lutam por vida e liberdade. O fundamento da missão é o amor: “Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros assim como eu os amei”. É ele quem dá identidade às comunidades. A adesão a Jesus, a ponto de pôr em jogo a vida como oferta de amor, faz com que os cristãos vivam a mais profunda relação pessoal com o Senhor, tornando-se amigos dele.
De fato, os amigos de Jesus não são empregados dele na missa; são seus colaboradores: “Eu os escolhi e os destinei para ir e dar fruto, e fruto que permaneça”. Ir e produzir fruto duradouro é tarefa comum de Cristo e dos cristãos. A finalidade da escolha é a missão, que é parte essencial da amizade com Jesus. Fazendo as mesmas coisas que ele fez, ninguém ficará frustrado ao pedir em nome dele alguma coisa ao Pai.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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