O curso de medicina da Unifran começou neste ano, mas já é apontado como possível solução a médio e longo prazos para a falta crônica de médicos na rede pública de Franca pela Secretaria Municipal da Saúde e pela coordenação do curso. Há sete anos, os concursos públicos e processos seletivos realizados pela Prefeitura para contratar médicos têm menos interessados que vagas.
Nos próximos dias, a administração deve lançar um novo processo seletivo. Atualmente, há 241 médicos e cerca de 75 cargos vagos.
O médico Sinésio Grace Duarte, coordenador do curso de medicina da Unifran, afirma que Franca é uma das regiões que tem mais carência de médicos, em relação ao restante do Estado (leia texto nesta página).
“A proposta da escola médica aqui em Franca visa exatamente isso: suprir a demanda de profissionais, principalmente na rede SUS e na rede pública de saúde”, diz Duarte.
A reportagem ouviu os calouros do curso sobre seus planos para o futuro. Dos 60 alunos, 21, o equivalente a 35%, manifestaram interesse em trabalhar na rede pública de Franca depois de formados, o que vai demorar pelo menos seis anos. A maioria dos alunos, 60%, veio de cidades paulistas distantes ou de outros Estados, 30% são da região e 10% são francanos.
Ana Cláudia Fernandes Azarias, 18, é uma das francanas que manifestou interesse em trabalhar na rede pública de saúde. “Se estou fazendo medicina tenho que prestar meus serviços onde existe necessidade”, disse a aluna.
O colega de classe dela Miguel Calmona Granero, 23, já projeta seu futuro em um consultório particular. Ele aponta a baixa remuneração como um dos motivos pelos quais a maioria dos médicos não têm interesse em trabalhar na rede pública. Miguel diz que o salário pago pela rede pública é inferior ao valor que eles pagam de mensalidade do curso (cerca de R$ 4.300).
Desde o primeiro ano, os alunos da Unifran visitam semanalmente as UBS (Unidades Básicas de Saúde) da cidade e acompanham os atendimentos por meio do Piesf (Programa de Integração de Ensino na Saúde da Família). É uma espécie de disciplina do curso que conta com a parceria da Prefeitura.
“Inicialmente, é lógico que vamos usar a rede pública como um campo de aprendizado. Mas, ao mesmo tempo, a universidade, através dos docentes e dos próprios alunos, terá um papel de levantar eventuais necessidades locais em relação a doenças e outras coisas. Essa integração entre o conhecimento universitário e a necessidade da rede pública deve melhorar as condições para a própria rede”, afirmou Duarte, o coordenador do curso.
A curto prazo, a Secretaria de Saúde de Franca está tentando atrair universitários de outras cidades. “Estamos indo nas três faculdades de medicina de Ribeirão Preto, de Uberaba e de Uberlândia convidar médicos para vir prestar esses serviços aqui em Franca”, disse o secretário Alexandre Ferreira.
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