Os profissionais que entendem muito de barba, cabelo e bigode


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NA ESTAÇÃO - Arlindo Raiz, barbeiro há 72 anos, tempera o serviço com uma navalha afiada, tesoura e muito bate-papo
NA ESTAÇÃO - Arlindo Raiz, barbeiro há 72 anos, tempera o serviço com uma navalha afiada, tesoura e muito bate-papo

Fazer a barba em barbearia é uma coisa antiga, de velho, certo? Errado! Em Franca, os barbeiros ainda são boas opções para quem quer deixar o rosto tão liso como “bundinha de neném” e isso inclui os jovens. Na cidade, os salões de barbeiro vão do modelo tradicional, como o de Arlindo Raiz, que tem 72 anos de profissão, onde o bate-papo é o tempero do serviço. Há o moderno delivery, como o do cabeleireiro-barbeiro Ednílson Rodolfo da Silva, o Dê, que anuncia seus serviços pela internet. Há ainda locais para quem procura mais conforto, como a Barbearia Estilo A, onde os clientes têm sempre vaga para guardar os carros, são recebidos ao som de jazz e acomodados em cadeiras automatizadas com controle para definir altura e inclinação.

Segundo os profissionais, o setor está aquecido e eles chegam a atender 70 clientes por dia, que buscam, além da praticidade e da perfeição da navalha, o bom e velho papo descontraído. Como acontece nos salões femininos, as barbearias se transformam em verdadeiras salas de reuniões, onde os assuntos prediletos são política, futebol e economia.

O preço para fazer a barba parte de R$ 10, mas pode triplicar caso o cliente opte por ser atendido em casa ou no seu local de trabalho.

O MAIS ANTIGO
O ambiente é simples: uma cadeira de barbeiro, alguns espelhos na parede, um sofá com um Comércio da Franca do dia sobre ele, uma bela tesoura, uma navalha afiada e um bom papo. Talvez sejam esses os segredos para Arlindo Raiz, o barbeiro mais antigo da cidade - tem 84 anos, sendo 72 anos de profissão -, manter a clientela fiel. É ali, na pequena sala a poucos metros da estação da trem, no bairro da Estação, que ele trabalha seis dias por semana.

Casado há 65 anos com a mesma mulher, o senhor Arlindo se orgulha de atender diariamente cerca de 70 pessoas, a maioria para fazer a barba. Arlindo tem como parceiro de trabalho José Porto.

Basta olhar para os pôsteres do Corinthians espalhados ao redor da saleta para saber que futebol é um dos assuntos prediletos. Futebol, política e, como em todo salão de beleza, fofoca. “Tem sempre um ou outro comentando alguma coisa. A gente ouve e fica quieto, mas o povo gosta de falar”, diz Arlindo.

Entre as conversas que já ouviu no seu salão, o barbeiro se lembra de uma que repercutiu muito. Era o ano de 68 e disputavam as eleições para prefeito José Lancha Filho e Fábio Meirelles. Um juiz eleitoral, na época, confidenciou na barbearia que Fábio tinha ganho a eleição, mesmo faltando conferir uma urna no dia seguinte. Os frequentadores do local acreditaram e fizeram até passeata para comemorar. O fato é que a tal urna que faltava foi justamente a que decidiu as eleições. Venceu Lancha Filho.

O barbeiro diz que aprendeu a trabalhar sozinho, aos 12 anos, quando ainda morava em Cristais Paulista e cortava o cabelos dos irmãos. Se mudou para Franca sete anos depois, quando se casou.

Hoje, passados mais de 70 anos mantém as características que o fizeram famoso: boa visão e mãos firmes. Com tanto tempo de carreira, poderia se aposentar, mas prefere, como ele diz, ficar “se distraindo” na barbearia.

“Isso aqui é a minha vida. Sinto em ver que a profissão não desperta interesse nos jovens cabeleireiros e aos poucos vai se extinguindo, mas para mim é uma boa carreira, afinal formei minhas duas filhas através dela”, afirma Arlindo.
 

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