Terezinha Ponciano Lopes, já com seus quase 80 anos, também sabe o que é ser mãe de juiz de futebol. No seu caso, o desafio é ainda maior, pois quem resolveu enfrentar a ira das torcidas e a violência do futebol varzeano foi sua filha, a funcionária pública Telma Aparecida Lopes, responsável pelas divisões de base do futebol feminino francano.
Formada em educação física, Telma foi atleta durante boa parte de sua vida. Jogou handebol por cerca de 20 anos, disputou provas de atletismo por outros 12 e também atuou no futebol feminino por um bom tempo.
Como ama o esporte, não conseguiu se afastar. Aos poucos foi transitando para a arbitragem, primeiro no handebol, depois no futebol de salão e, finalmente, nos campos da várzea francana, onde já atua há mais de 10 anos.
Em 1996, ela fez um curso de árbitro pela Liga Francana e logo começou a atuar como assistente nos jogos do campeonato varzeano.
No começo da carreira, Terezinha frequentava os campos de futebol com mais assiduidade e se irritava ao ouvir alguns xingamentos endereçados a sua filha.
“Eu ficava brava e queria ‘sentar o couro’ em quem xingava minha filha”, lembra.
Telma diz que já se acostumou com as “homenagens” que recebe em todos os jogos, extensivas a sua mãe. Ela sabe que não é pessoal. Não se esquece, porém da partida entre Vila Formosa e Ipiranga, em que quase apanhou por invalidar um gol do Vila Formosa. “A confusão foi total. Teve gente que se ajoelhou e pediu pelo amor de Deus. Teve empurra-empurra e tudo mais”, diz Telma.
Mas os casos de reclamações não se limitaram a esse. Ela se recorda que já precisou sair do campo dentro de um camburão em várias oportunidades. Mas diz não se incomodar com isso porque sabe que a torcida vai ao campo para desabafar os problemas do cotidiano. Telma acredita, apenas, que as coisas estão piorando um pouco. Além da torcida, agora os jogadores também estão exagerando.
“Acho que é um problema maior, que começa fora do campo. As pessoas não conseguem mais ouvir, não sabem se relacionar. Só querem desabafar seus problemas.”
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