Pés no chão e um desejo de seguir pegadas ecológicas impulsionaram a Sapatoterapia a desenvolver um calçado biodegradável, com laudos do Instituto Pró-Ambiente, voltado para pesquisas ambientais. A inovação é feita com materiais biodegradáveis, como couro e solado de borracha natural, cola à base de água, forro de tecido de fibra de bambu e atacador de algodão. Após o tempo de uso, ao invés de ser descartado de maneira incorreta, o sapato pode ser aterrado e se transformar em matéria orgânica (adubo). De acordo com a empresa, o tempo médio para decomposição é de 5 anos. Isso significa que o sapato biodegradável se desfaz sem prejudicar o meio ambiente e 50 vezes mais rápido que os calçados comuns.
Com a empresa sediada em Franca, capital nacional do calçado masculino, o diretor da Sapatoterapia, Leonildo Lopes Ferreira, explica que o sapato biodegradável surgiu da preocupação em preservar o meio ambiente e teve o lançamento oficial em agosto do ano passado. “Começamos a pesquisar matérias-primas naturais, que permitissem que o sapato biodegradável tivesse a mesma durabilidade de um sapato comum, mas que não poluísse a natureza. O curtimento do couro é com tanino vegetal e a sola é de borracha natural. Ele tem 93,8% de biodegrabilidade. A linha utilizada é de poliester, porque as máquinas desenvolvidas não costuram com linha de algodão”, explica.
De acordo com o diretor do Pró-Ambiente Análises Químicas e Toxicológicas Ltda - instituto sediado no Sul do Brasil, que utiliza normas e procedimentos técnicos nacionais e internacionais para análises de produtos -, Marco Dexheimer, a Sapatoterapia foi a única empresa calçadista do país a obter os laudos emitidos por eles. O processo de pesquisa durou aproximadamente dois anos. Foram avaliados inicialmente materiais componentes do calçado para verificar se eles são biodegradáveis. Concomitantemente com a produção da empresa, eram selecionados os materiais. O diretor do instituto emissor dos laudos aponta que foram analisados forro, solado, cabedal, couro e cordão.
O sapato da linha biodegradável da Sapatoterapia é destinado aos mercados interno e externo. Custa em média de 15% a 20% a mais que um sapato comum. Para o presidente da Sapatoterapia, falta incentivo fiscal para aumentar a produção. “À medida que os custos se igualarem com o sapato comum, o crescimento do consumo passa a ser maior. Falta ajuda do governo para que haja redução nos custos do produto. Quanto mais empresas fabricarem a linha bio, mais fácil vai ser conseguir esse incentivo. A gente só vai ter um mundo melhor quando as empresas estiverem engajadas nesse projeto, pensando na natureza e no meio ambiente”, frisa Leonildo.
Além da produção de sapatos biodegradáveis, a Sapatoterapia investe em treinamento para os funcionários. Eles aprendem sobre a necessidade e importância do desenvolvimento sustentável, além de ações que podem ser realizadas dentro da empresa e nas próprias casas - como separar o lixo para coleta seletiva, destinar corretamente o óleo de cozinha e outras ações que buscam redução do consumo. Leonildo afirma que as autoridades fazem sua parte, mas os empresários precisam colaborar. “Já existem várias empresas voltadas pra isso, empresas sérias, e a Sapatoterapia faz parte desse grupo que se preocupa com o meio ambiente”.
De acordo com o Sindifranca, o município possui 1.015 empresas ligadas ao setor coureiro-calçadista. Destas, 467 são produtoras de calçados. No entanto, o sindicato não dispõem de um estudo sobre a quantidade de empresas que desenvolvem atividades sustentáveis em Franca. Mas a entidade afirma que está desenvolvendo um estudo que visa a retirada do cromo do curtimento do couro e que, em 2011, realizou uma campanha de incentivo ao descarte correto dos resíduos industriais. Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, ações sustentáveis devem ser vistas como a nova necessidade empresarial. “Não estamos fazendo um favor em preservar o planeta em que vivemos. Além dos ganhos com a qualidade de vida, pelo lado empresarial, as empresas que se dedicam à sustentabilidade, seja através de economia de energia, água e produtos não poluentes, estão gerando um impacto positivo no valor e na sua credibilidade.”
REFLORESTAMENTO
Reflorestamento de áreas degradadas para micro e pequenos produtores que não têm condições de financiar o reflorestamento. Assim, a Sapatoterapia desenvolve uma ação sustentável de destaque: o projeto Plante Uma Árvore Por Dia. Em dois anos, foram plantadas mais de 6.250 árvores, o que representa uma árvore por dia de existência da empresa, que atua no setor calçadista há 17 anos. O trabalho é realizado com apoio da Defensoria Ambiental, que indica as áreas a serem reflorestadas.
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