Restos de couro viram dinheiro para artesãos


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CRIATIVIDADE - Restos de couro se transformam em bolsas, pulseiras, colares, flores e até tapetes. Produtos são comercializados no Quiosque do Artesão, na Praça Barão da Franca
CRIATIVIDADE - Restos de couro se transformam em bolsas, pulseiras, colares, flores e até tapetes. Produtos são comercializados no Quiosque do Artesão, na Praça Barão da Franca

De retalho em retalho, a artesã Zilda Lima Diniz, 59, cria objetos de decoração com pedaços de couro - sobra da principal matéria prima da indústria calçadista de Franca. Assim como Zilda, outras 50 pessoas sobrevivem desse tipo de artesanato e integram a Rede Couro e Arte, do Lixo ao Luxo, do Fundo Social de Solidariedade de Franca, um projeto de sustentabilidade socioambiental que, além de gerar renda, deixa de poluir o meio ambiente, já que o couro pode levar até 50 anos para se decompor.

De acordo com a coordenadora do projeto, a assistente social Rejiane Spessoto, a Rede Couro e Arte, do Lixo ao Luxo foi criada em 2006 para atender famílias carentes e recebeu apoio de pequenas indústrias que doavam retalhos de couro. Hoje, os artesãos compram a matéria prima em promoções, já que grande parte das indústrias deixaram de doar.

Todos os dias são desperdiçadas 100 toneladas de couro no município. Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, não há dados sobre a quantidade de couro doado pelas empresas. O Fundo Social de Solidariedade de Franca também não tem um controle do volume de couro utilizado pelos artesãos cadastrados no projeto.

Há seis anos, famílias francanas sustentam seus lares criando e vendendo flores, chaveiros, tapetes, bolsas e outras peças produzidas em couro manualmente. No Quiosque do Artesão, montado na Praça Barão da Franca, de segunda-feira a sábado, os artesãos expõem seus produtos. Eles participam de feiras como a Francal, Couromoda, além de outras realizadas na região.

Cada artesão fatura de R$ 500 a R$ 800 por mês. De acordo os profissionais, em eventos locais e regionais, a renda chega a triplicar, isso sem contar as encomendas. A exemplo de centenas de francanos, a artesã Zilda trabalhou como sapateira nas fábricas da cidade. “Dentro da indústria, via os retalhos irem para o lixo. Quando estava desempregada, tive a oportunidade de começar a criar brinco, colares, pulseiras e porta-celular. Hoje ajudo a proteger o planeta. Meu trabalho é útil tanto pra mim, quanto para a natureza”, comemora.

Tânia Vieira Queiroz Braga se denomina professora por formação e artesã por vocação. Ela e dois filhos trabalham com artesanato desde a primeira turma do projeto socioambiental do Fundo Social. “Tive persistência e aprimorei meu trabalho. Hoje tenho orgulho de apresentá-lo para pessoas de nossa cidade, de outros Estados e países, que ficam maravilhadas ao ver nossos produtos criados com aqueles pedacinhos de couro que seriam jogados no lixo”.

De acordo com Tânia, há mais de 10 anos, terrenos baldios de Franca eram utilizados como despejo de retalhos de couro. “Ficava muito triste, pois a degradação do meio ambiente traz prejuízos para nós mesmos. Tenho um neto de 4 anos e quero que ele e os filhos dele possam viver em um mundo sustentável”.

Além da Rede Couro e Arte, do Lixo ao Luxo, a Prefeitura de Franca desenvolve mais de 40 projetos voltados à sustentabilidade com apoio das secretarias municipais. Existem projetos que têm início na própria Prefeitura, como a conscientização para uso racional de água e papel, e outros que abrangem toda comunidade, como os Programas de Coleta de Óleo de Cozinha Usado e de Coleta Seletiva de Resíduos.

De acordo com o secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, a Prefeitura programa, elabora e executa os projetos, mas a o resultado depende não apenas do poder público, mas de todos os cidadãos.

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