Consumismo exagerado: um empecilho à sustentabilidade


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Apesar de franca fazer coleta seletiva de lixo, recicla apenas 26,6% das 30 toneladas de resíduos recicláveis gerados diariamente
Apesar de franca fazer coleta seletiva de lixo, recicla apenas 26,6% das 30 toneladas de resíduos recicláveis gerados diariamente

O ato natural de respirar gera impactos ao meio ambiente, por inspirarmos oxigênio e devolvermos ao ar o dióxido de carbono (CO2) - gás de efeito estufa, um dos responsáveis pelo aquecimento global. Assim, todas as nossas ações como beber água, comer, gerar esgoto e resíduos produz impactos inevitáveis. A nossa mobilidade, seja através de carro, moto, ônibus ou qualquer outro veículo automotor também polui o meio ambiente, uma vez que a queima do combustível emite gases de efeito estufa. Atualmente, 85% da população brasileira vive nas cidades. A urbanização trouxe, junto com o crescimento desses centros, prejuízos à natureza, pois quanto maior a concentração humana, maior é a poluição. A partir daí surge a questão: qual a quantidade necessária de recursos naturais e da geração de impactos para nossa sobrevivência?

Diante desse contexto, o conceito de sustentabilidade nunca esteve tão em pauta. Surgiu da necessidade de preservar o meio ambiente, buscar alternativas que sejam politicamente justas, social e economicamente adequadas. É de responsabilidade da geração atual garantir às futuras o direito à vida sem privações, com progresso social, econômico, humano e cultural.

Este caderno especial, elaborado pelo GCN Comunicação, aborda o tema sustentabilidade em diversos aspectos e procura demonstrar ações da sociedade civil, do poder público e de empresas que estão desenvolvendo soluções que viabilizem as práticas sustentáveis e as insiram no contexto diário de cada pessoa, em cada atividade, por mais diferenciada que seja, de maior ou menor destaque.

O Brasil vem se consolidando no cenário internacional e já se tornou a 8ª economia do mundo. Segue a tendência norte-americana do consumo exagerado, a população assume o modo de vida que a sociedade impõe, mas não o modelo de reciclagem que é quase tão lucrativo nos Estados Unidos como a indústria automobilística. A lógica americana é “quanto mais eu consumo, mais eu gero resíduos e mais eu lucro com a reciclagem”. Mas, por aqui, a evolução é mais lenta. Pequena parte dos resíduos é reciclada ou reaproveitada, diferente também da cultura européia que, depois de duas guerras mundiais, trabalha com o conceito de redução.

Atualmente, muito se fala sobre as sacolas plásticas. Mas parece que se esqueceram que existem outros vilões ambientais como as embalagens plásticas que estão por todos os lados, em todas as prateleiras e descartadas aos montes. Essas embalagens, em grande parte do país, ainda são lançadas no solo sem nenhum cuidado e trazem prejuízos à natureza. Se a reciclagem fosse um processo forte - como nos Estados Unidos - teríamos a geração de novos recursos, novos produtos, além de outro tipo de economia, o que minimizaria a questão ambiental.

Para ter esse tipo de atitude sustentável o processo educacional é fundamental. A responsabilidade é de todos, mas a consciência começa na escola, junto com a família, uma vez que as crianças cobram dos pais o que aprendem. Para que o processo educacional seja efetivo, é necessário que os professores estejam capacitados e com remuneração condizente com a responsabilidade que têm à sua frente, cuidando da educação das crianças que são a geração futura.

No cenário jurídico, há boas leis ambientais no Brasil, mas precisam ser praticadas em todo território e não apenas de maneira localizada, na busca do desenvolvimento sustentável. Nesse processo de evolução, Franca dá sua modesta contribuição: tem um poder público engajado e atuante, trata 98% do esgoto coletado e destina resíduos sólidos para um aterro sanitário modelo. Empresas investem em produtos biodegradáveis, geração de energia através de resíduos, novas tecnologias que permitem menor geração de impactos - como a emissão de gases -, e buscam parcerias para implementação de projetos inéditos que podem se tornar futuras soluções de preservação do meio ambiente. Além disso, aos poucos a população também está se conscientizando: destina corretamente o lixo eletrônico em postos de coleta, separa o lixo reciclável do orgânico, reutiliza água da chuva e aprende ou reforça o hábito de economizar energia, plantar árvores e não poluir o ar com queimadas urbanas, o que eleva a cidade ao nível das que têm melhor qualidade do ar, de todo Estado de São Paulo, de acordo com avaliação da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). Apesar do município fazer coleta seletiva de lixo, recicla apenas 26,6% das 30 toneladas de resíduos recicláveis gerados diariamente.

Franca dá os primeiros passos em busca da sustentabilidade, mas o caminho a percorrer ainda é longo. É preciso que a conscientização se estenda para mais um dos princípios sustentáveis: o de que mais vale a qualidade do que a quantidade de produção ou consumo. É preciso entender que a reciclagem é uma boa prática, que gera lucro e menos poluição -, mas deve vir depois da redução. É imprescindível reduzir o consumo não apenas de produtos, mas de recursos naturais e impactos em busca da preservação do meio ambiente e garantir às gerações futuras o direito à vida sem privações, com evolução humana, cultural, social e econômica.

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