Leio porque as letras me fascinam:
Fios, traços, pequenos laços que se enlaçam;
Elos que se anelam em corrente-símbolo;
Mãos que se dão em ciranda-signo
E dançam
- eternas bailarinas -
Múltiplas coreografias
Do humano pensamento.
E voam
- aves de arribação
A romperem tempo e espaço,
A noticiarem a suis e nortes
Seda e sílex, alga e aço.
E flutuam
- borboletas levíssimas
A polinizarem mil lábios
E línguas e almas;
Libélulas de asas de vidro
A conceberem arco-íris.
E queimam
- liquens-labareda.
E ferem
- linhas-lâmina.
E acariciam
- leves líquidos laços de mel e sargaços.
E cantam
- canto-canção do vento
Nos mares e nos trigais:
Grito e sussurro, morte e vida;
Água, sal, areia clara,
Ouro, nácar e concha partida.
Então escrevo.
Porque a palavra existe
E a vida nunca está completa.
Cirando signos, abraço símbolos,
Canto. “E a canção é tudo”:
Sonho vida texto intertexto...
Face e interface de poetas.
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