Ratos e ratazanas invadem casas e apavoram moradores do Boa Vista


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COMBATE - O mecânico Pedro Victor Blanco mostra as ratoeiras que mantém armadas em casa para capturar ratos que invadem seu quintal, cozinha e despensa
COMBATE - O mecânico Pedro Victor Blanco mostra as ratoeiras que mantém armadas em casa para capturar ratos que invadem seu quintal, cozinha e despensa

Ratos e ratazanas têm transformado a vida dos moradores de pelo menos dez casas do bairro Boa Vista num verdadeiro inferno. Os animais invadem as casas, se alojam em fogões, atacam alimentos, roem caixas e até sapatos. O problema se agravou há cerca de seis meses. Encontrar os bichos, alguns do tamanho de um gato, como relatam os vizinhos, se tornou uma cena comum nos muros e telhados. Em média dez francanos procuram a Vigilância Ambiental por mês para reclamar da invasão de ratos em todas as regiões da cidade.

A dona de casa Márcia dos Santos, 25, mora com o marido e dois filhos no Boa Vista num imóvel alugado. A família tinha o costume de deixar a porta aberta até receber a desagradável “visita” de uma ratazana. Márcia entrava em casa quando avistou o animal seguindo pelo corredor, rumo aos quartos. Para não espalhar sangue na residência, o casal apenas espantou o bicho sem matá-lo. Outro roedor não teve o mesmo destino. “Um dia um rato invadiu a cozinha e entrou no forno. Acendemos o fogão e ele morreu queimado, que nojo”, disse a dona de casa, que em seis meses encontrou quatro ratos onde mora. “Está complicado e pensamos até em mudar daqui. Fico preocupada porque a gente não sabe onde eles passaram, se subiram nas roupas. Costumo limpar a casa com querosene para o cheiro espantar os ratos.”

O mecânico Pedro Victor Blanco, 78, vizinho de Márcia, sofre com a mesma invasão ao lado da mulher, da filha, do genro e dos dois netos. As três ratoeiras da casa vivem armadas. “A gente luta para matar, mas não consegue. Eles acabam vencendo a gente, porque pegam a isca na ratoeira e fogem.” Um dos ratos invadiu a despensa da casa, roeu uma caixa de sapatos, uma sacola e a bota que estava dentro dela.

Os moradores acreditam que eles estejam vivendo em terrenos baldios tomados por lixo entre as ruas Gonçalves Dias e Alberto Ferrante. Ontem, a reportagem encontrou um rato morto no terreno que está com lixo doméstico, entulhos e móveis velhos. Por encontrarem abrigo e alimento, é provável que os roedores sejam atraídos para essas áreas e acabam invadindo as casas vizinhas. “A Prefeitura tem que exigir a limpeza do terreno e murar as áreas para que parem de jogar lixo. Eu já vi vizinhos chegarem com balde cheio de lixo e despejar tudo no terreno. Se tiver muro, isso para de acontecer”, disse Denilson Chiareli, 39, gerente de compras em uma multinacional.

Denilson mora no bairro há dez anos e tem casa própria na rua Boa Vista. Define a situação como “nojenta e vergonhosa”. “As casas estão tendo infestações de ratos nos muros, quintais, guias e sarjetas”, disse. Ele disse que, na semana passada, passou a noite acordado caçando os ratos. “Capturei três ratos de domingo para segunda... Já coloquei veneno de tudo quanto é jeito e não resolve. Tenho uma criança de cinco anos e não posso sujeitá-la a isso.” Ele alega que procurou a Vigilância Ambiental cinco vezes. “Não consigo ser atendido pelas autoridades. Já liguei na Vigilância Ambiental, tenho o protocolo do atendimento, mas não recebi orientação.”

Fernando Baldochi, secretário-adjunto de Saúde, disse que a Prefeitura orienta os moradores sobre meios de controlar a população de roedores.
 

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